quarta-feira, 16 de abril de 2014

Israel destrói projetos humanitarios da UE na Palestina

Israel destruye proyectos humanitarios de UE en Palestina





En las áreas adyacentes a Al-Quds (Jerusalén), cientos de palestinos han visto cómo el régimen de Israel destruía sus hogares construidos por la Unión Europea (UE). 

El régimen de Israel ha destruido los hogares de palestinos que habitan en afueras de Al-Quds. Vivían en casas prefabricadas levantadas gracias a proyectos financiados por la UE.

El objetivo del régimen de Israel es desplazar forzosamente a los palestinos indígenas de la zona, para construir más asentamientos ilegales.

Oficiales europeos en declaraciones al medio digital 'EurActiv' tacharon esta acción como un “desplazamiento forzoso de palestinos que quebranta la ley internacional” y exigieron que se ponga fin a la destrucción inmediatamente.

Desde que comenzaran las llamadas negociaciones de paz, el régimen de Tel Aviv ha intensificado sus planes para acelerar la limpieza étnica del pueblo palestino.

Isabel Pérez, Gaza.
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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Israel dita sentença de prisão perpétua contra 5 crianças palestinas por apedrejarem um veículo


Palestina - La República - [Tradução de Adrián Magro para o Diário Liberdade] Ali Shamlawi, Kleib Mohamad, Mohamad Suleiman, Tamer Ammar Souf Souf e todos os menores enfrentam uma pena de prisão perpétua no território palestino ocupado. São acusados de atirar pedras contra um veículo colono israelense que teve um acidente. Todas as crianças recusam serem envolvidas e suas famílias apelam à justiça internacional.

 O carro em que colonos israelenses foram colidiu com um camião que estava parado perto do assentamento ilegal de Yakir. Embora o motorista do camião alegou estar parado porque tinha um pneumático furado , os colonos testemunharam contra o grupo de crianças palestinas .
As organizações de direitos humanos e direitos da criança denunciam que o 74% das crianças palestinas presas pelo regime de Israel sofrem violência física durante detenção, a sua transferência a prisão e o interrogatório.

A autoridade israelense é a única autoridade no mundo que julga crianças em tribunais militares sem se sequer garantir um julgamento justo e que respeite a legalidade.
De acordo com as últimas estatísticas, hai 173 crianças palestinianas nas prisões israelitas, 16 delas tenhem entre 12 e 16 anos.

Postado :http://www.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/409-repressom-e-direitos-humanos/45498-senten%C3%A7a-de-pris%C3%A3o-perp%C3%A9tua-israel-5-crian%C3%A7as-palestinas-por-atirar-pedras-a-um-ve%C3%ADculo.html



Publicado em Domingo, 26 Janeiro 2014

sábado, 5 de abril de 2014

Revelações de um ex-agente da CIA:

 Os planos da CIA na Venezuela e no mundo

por Raúl Capote
Raul Capote.Raúl Capote é cubano. Mas não um cubano qualquer. Na sua juventude foi cooptado pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos. Ofereceram-lhe uma quantidade sem limite de dinheiro para conspirar contra Cuba. Mas surgiu algo inesperado para os EUA. Capote, na realidade trabalhava para a segurança nacional cubana. Desde então, atuou como um agente duplo. Conheça a sua história através de uma entrevista exclusiva com Chávez Vive, que concedeu em Havana.

"EU ERA O LÍDER DE UM MOVIMENTO ESTUDANTIL E A CIA CAPTOU-ME" 
Como foi o seu processo de recrutamento ? 


Foi um processo de muitos anos, de vários de anos de preparação e de cooptação. Eu era o líder de um movimento de juventude em Cuba que, na época, deu origem a uma organização, a Associação Cultural de Hermanos Saiz, uma associação de jovens criadores, jovens pintores, escritores, artistas. Eu trabalhava numa cidade do sul de Cuba, centro-sul de Cuba, Cienfuegos, cujas características, para o inimigo, eram muito interessantes, porque era uma cidade onde na época se estava construindo um grande centro industrial. Estava-se construindo uma central eléctrica, a única que se ia instalar em Cuba e havia muitos jovens a trabalhar na obra. Uma cidade com muitos jovens engenheiros formados na União Soviética. Estamos falando do final dos anos oitenta, quando houve todo aquele processo da perestroika. Muitos engenheiros cubanos, que chegaram a Cuba naquela época, graduados lá, eram pessoas que vinham com a ideia de perestroika. Portanto, era um território interessante, onde havia muita gente jovem. E o facto de eu ser um jovem líder de uma organização cultural, que movimentava um sector importante dos engenheiros que estavam interessados nas artes, foi interessante para os americanos que começaram a frequentar as reuniões a que nós assistíamos. Nunca se identificando como inimigos, nem como agentes da CIA.

Eram vários ou sempre a mesma pessoa? 

Vários. Nunca se apresentavam como agentes da CIA nem como pessoas que viessem para prejudicar.

E quem vocês supunham que fossem? 

Apresentavam-se como pessoas que vinham nos ajudar no nosso projeto, e que tinham a possibilidade de financiá-lo. Que tinham a capacidade de o tornar realidade. A proposta, como tal, parecia interessante porque, bem, um projeto no mundo da literatura exige que se conheça um editor, que se tenham relações editoriais. É um mercado muito complexo. E vinham em nome de editoras. O que acontecia é que durante o processo de contacto connosco, parecia bastante claro o que eles realmente queriam. Porque, uma vez que faziam o contacto, uma vez que começavam a frequentar as nossas reuniões, que começavam a prometer os financiamentos, vinham, em seguida, as condições para sermos financiados.
A CIA TEM UM ORÇAMENTO INFINITO 

Que condições exigiam? 

Diziam-nos: temos a capacidade de colocar o mercado à vossa disposição, de levá-los ao mercado do livro, ou do filme, ou das artes plásticas ou qualquer outra coisa, mas queremos a verdade, porque o que se vende no mercado é a imagem de Cuba. A imagem de Cuba tem que ser uma visão realista, das dificuldades, do que acontece no país. Queriam viciar a realidade de Cuba. O que estavam pedindo é que fizéssemos uma critica da revolução, com base nas linhas de propaganda contra Cuba, que eles manejavam.

A quanto pode ascender o orçamento dessa gente? 

Eles vinham com uma quantidade infinita de dinheiro, porque a origem do dinheiro, é claro, com o tempo conseguimos saber de onde vinha. Por exemplo, havia a USAID, que era o maior patrocinador, a maior contratadora de todo o orçamento, que era canalizado através de ONGs, que muitas vezes eram inventadas para Cuba. Eram ONGs que não existiam, que foram criadas exclusivamente para esse tipo de trabalho em Cuba e estamos a falar de milhares e milhares de dólares. Eles não trabalhavam com orçamentos pequeninos. Para dar um exemplo, num dado momento, a mim ofereceram-me dez mil dólares, apenas para incluir elementos de propaganda contra Cuba no romance em que eu estava trabalhando.

De que ano estamos falando? 

Estamos em 1988, 89.

Quantas pessoas poderiam ter sido contactadas por essa gente ou cooptadas? 

Realmente não tiveram muito sucesso, porque em Cuba havia uma cultura de confronto para tais coisas e as pessoas tinham muito presente que poderia haver algo por trás dessa história de querer-nos ajudar. Não era novo na história do país e, por isso, era muito difícil chegarem a nós. Num dado momento, já em 92, tivemos uma reunião com todos os membros da organização e foi decidido expulsá-los. Não permitir mais a assistência a qualquer das nossas reuniões. Essa gente, que já estava chegando com propostas concretas e também condicionando a ajuda financeira que nos estavam dando. O que acontece é que, quando fizemos isso e os rejeitamos, os expulsamos da sede da associação, em seguida, começaram a particularizar. Começam a visitar-me, a mim em particular e a alguns camaradas jovens. Com alguns foram bem sucedidos, ou seja, alguns deles conseguiram, inclusive, levá-los para fora do país.

Que perfil procuravam eles, mais ou menos, se se pode especificar um perfil? 

Eles queriam, especialmente naquela época, apresentar Cuba como um país que estava no caos. Que o socialismo em Cuba havia falhado em atender às necessidades da população e que Cuba era um país que o socialismo levara à pobreza absoluta e que, como modelo, não agradava. Foi a chave para o que se pretendia, especialmente naquela época.
NA VENEZUELA TRABALHOU UMA AGENTE EXPERIENTE EM
 DERRUBAR GOVERNOS 

Quanto tempo esteve como agente da CIA? 

Estivemos nessa história até ao início do ano de 94. Porque em 94 eu venho para Havana, volto para a capital e aqui, vou trabalhar no Sindicato dos Trabalhadores da Cultura, um sindicato que representa os trabalhadores da cultura na capital, o que me tornou ainda mais interessante para eles, porque deixava de ser um líder de uma organização de jovens com 4.000 membros, para passar a liderar uma organização sindical com 40.000 membros. Ou seja, uma união com 40.000 membros, apenas na cidade de Havana. Então isso tornou-se muito mais interessante. Eles continuaram os contatos. Naquele momento apareceu um novo professor universitário que veio com a missão de promover a produção de meu trabalho literário, para se tornar o meu agente, para organizar eventos.

Pode dar o nome ? 

'.Não, porque usavam pseudônimos. Nunca nomes reais. E esse tipo de trabalho, de me promover como escritor, era no que eles estavam muito interessados, porque queriam tornar-me uma personalidade dentro desse mundo. Promovendo-me agora, e comprometendo-me com eles de maneira não direta. E então, em 2004, chega aqui a Havana uma pessoa que é bem conhecida na Venezuela, Kelly Keiderling . Kelly chega a Havana para trabalhar como Chefe do Gabinete de Imprensa e Cultura. Preparam uma reunião. Preparam um cocktail e neste cocktail eu tenho uma reunião com doze funcionários norte-americanos e europeus. Não eram só americanos. Todos pessoas que tinham experiência, alguns com experiência mesmo dentro da própria União Soviética, outros tinham participado em ações de formação e preparação de gente na Jugoslávia, nas Revoluções coloridas, e estavam ansiosos por me conhecer. Kelly torna-se uma pessoa muito próxima. Começa a preparar-me. Começa a instruir-me. Eu começo a receber dela uma formação muito sólida: a criação de grupos alternativos, a criação de grupos independentes, a organização e formação de jovens líderes, especialmente em projetos culturais, mas que foram sempre alternativos, que não participaram nos trabalhos das instituições culturais. Isso foi no ano de 2004-2005. Kelly sai praticamente de cena em 2005-2006. E começo a trabalhar, ela apresenta-me, coloca-me em contacto direto com funcionários da CIA. Supostamente, eu já estava comprometido com eles, estava pronto para a próxima missão, e colocam-me em contacto com Renee Greenwald, um responsável da CIA que começa a trabalhar comigo diretamente, e com um senhor chamado Mark Waterhein que era, naquele tempo, o chefe do Projeto Cuba, da Fundação Pan-americana para o Desenvolvimento.
CENTENAS DE JOVENS VENEZUELANOS FORAM COOPTADOS PELA CIA 

'.




Esse senhor Mark , além de dirigir o Projeto Cuba, tinha uma ligação direta com Cuba, na questão do financiamento de projetos contra a Revolução e também estava envolvido em tarefas contra a Venezuela. Quero dizer, ele era um homem que, como muitos de sua equipe, funcionários do famoso projecto, também trabalhou contra a Venezuela na época. Eles estavam intimamente ligados. Às vezes tinha dificuldade em diferenciar quem trabalhava com Cuba, e quem não, pois muitas vezes alternavam. Por exemplo, havia venezuelanos que vinham trabalhar comigo, que trabalhavam em Washington, que estavam subordinados à Fundação Pan-Americana e à CIA e vinham a Cuba para treinar-me e trazer suprimentos. Daí sai a ideia de criar uma fundação, um projeto, que se chamou Gênesis

Gênesis é, talvez, a matriz, como ideia, de muitas das coisas que aconteceram no mundo de hoje, agora mesmo, porque Gênesis é um projeto destinado a estudantes universitários cubanos. Estavam fazendo algo semelhante na Venezuela. Porque, o que acontece? A ideia era transformar as universidades – que sempre tinham sido revolucionárias, que tinham produzido revolucionários, de onde haviam saído muitos dos revolucionários de ambos os países – e convertê-las em fábricas de reacionários. Então, como fazer isso? Formando líderes. O que começaram a fazer na Venezuela? Enviavam estudantes para a Jugoslávia, financiados pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) , que era financiado pela USAID e pelo Instituto Albert Einstein, enviados em grupos de dez, com o seu professor.

Conhece os nomes dos venezuelanos? 
Não, estamos falando de centenas. Eu falava com o professor e via que um grupo se seguia a outro. Porque eles estavam trabalhando a longo prazo. O plano era o mesmo contra Cuba. Gênesis promovia, dentro da universidade, um sistema de bolsas para a formação de líderes para alunos cubanos e professores cubanos. O plano era muito similar. Mesmo em 2003, eles prepararam, aqui em Havana, um curso na Secção de Interesses dos Estados Unidos, chamado "Derrubando um líder, derrubando um ditador", que se baseava na experiência da Otpor para afastar Milosevic do poder. E é a ideia, dentro da universidade cubana, de que estão trabalhando a longo prazo, porque todos esses projetos sempre têm um longo prazo, para ter resultados. Por isso, também começaram cedo na Venezuela. Eu acho, embora não tenha provas, mas acredito, que na Venezuela começou antes do governo Chávez, porque o plano de transformar as universidades latino-americanas, que sempre foram centros de processos revolucionários em universidades reacionárias, é mais velho que o processo venezuelano para reverter a situação e criar uma nova direita.
A CIA TRABALHA EM TODA A VENEZUELA 

A CIA só trabalha em Caracas? 

Não, em toda a Venezuela. Naquela época, Gênesis tinha em Cuba um plano de bolsas para formar líderes. Propunham aos estudantes uma bolsa de estudos numa universidade dos EUA, ou uma grande universidade europeia para os treinar como líderes, com tudo pago. Pagavam as despesas, pagavam bolsas completas. Estamos falando do ano de 2004-2005. Era muito evidente. Então, esses líderes voltariam para a universidade em algum momento. São estudantes. Vão acabar a sua carreira. Esses líderes, quando terminem as suas carreiras, vão ocupar diferentes cargos, diferentes possibilidades, como engenheiros, como graduados em diferentes sectores da sociedade cubana, mas outros vão ficar constantemente preparando líderes dentro da universidade. Uma das missões mais importantes dos líderes da universidade, era ocupar a liderança das principais organizações de jovens. No caso de Cuba, nós estamos falando da União de Jovens Comunistas e da Federação Estudantil Universitária, ou seja, não se tratava na época da criação de grupos paralelos, mas tornarem-se líderes de organizações que já existiam em Cuba. Simultaneamente, formar um grupo de líderes nas estratégias de golpe suave. Ou seja, treinar gente para quando o momento fosse oportuno, no momento certo, poder efetuar as famosas revoluções coloridas ou guerras não violentas que, como se sabe muito bem, de não violentas, não têm nada.

Que perfil procuram num professor, para ser cooptado? 

Professores é muito fácil. Identificar na universidade professores que eram pessoas descontentes com a instituição, pessoas frustradas, por considerarem que a instituição não lhes garantia, ou não reconhecia o seu mérito. Se eram mais velhos, ainda melhor. Não especificavam. Escolhem pessoas mais velhas, para que as selecciones. Se lhe envias um plano de bolsas de estudo, ou ele recebe um convite para participar de um grande congresso internacional de determinada ciência ele vai ficar-te eternamente grato, porque foste o único que descobriu o seu talento, que nunca havia sido reconhecido pela universidade. Então, a esse homem que tu, que estás na sua universidade, levaste a estudar fora, a participar de um grande evento e lhe vão publicar a obra e lhe constroem um currículo, quando esse homem voltar para Cuba, regressa com um enorme currículo, porque ele participou de um evento científico de primeira classe, passou em cursos nas principais universidades e o seu currículo quase atingiu o tecto, portanto, a influência que poderia ter na universidade era maior, porque poderia ser reconhecido como uma figura no seu campo, embora na prática o homem fosse um ignorante.
REALMENTE EU NÃO ERA UM AGENTE DA CIA, ERA UM AGENTE DA SEGURANÇA CUBANA 

E qual a eficiência e eficácia de tais cooptações, dessas missões que eles vinham promover aqui? 

No caso de Cuba, não lhes deu muito resultado. Primeiro, porque havia uma razão importantíssima: quem estava liderando o projeto era eu e eu realmente não era um agente da CIA, era um agente da Segurança Cubana, portanto, todo o projeto passou pelas minhas mãos, e deveria ser o único a executá-lo e o plano passava sempre pelo trabalho que eu podia fazer e o que fizemos foi entorpecê-lo ao máximo ao termos conhecimento do que estava sendo planeado. Mas note-se que eles estavam calculando o fim do seu plano para o momento em que desaparecessem as figuras históricas da Revolução. Eles estavam calculando um período de cinco ou dez anos, para Fidel desaparecer da cena política e desaparecerem de cena Raul e as figuras históricas do país. Era esse o momento que estavam à espera e quando acontecesse eu devia sair da universidade, com todo o apoio da imprensa internacional e com o total apoio de ONGs, USAID e todas essa gente que trabalhava em torno do dinheiro norte-americano da CIA, e emergiria uma organização para se apresentar ao público como uma alternativa ao que estava fazendo a Revolução. Isso é o que estava acontecendo com a Fundação para a Liberdade Gênesis.

Que Fundação é essa?

A Fundación Génesis para la Libertad devia ter um discurso aparentemente revolucionário, porque a ideia era confundir as pessoas. A ideia era dizer que eram revolucionários, que queriam fazer mudanças no governo, mas quando se ia para a prática, quando se ia para a essência do projeto, quando se perguntava, o que é o projeto? O discurso e o projeto eram exatamente os mesmos que os da direita tradicional, porque as mudanças que promoviam eram as mudanças que a direita, até há algum tempo, estava promovendo no país. Na prática, quase se lhes dá uma grande oportunidade, no critério deles, em 2006, quando saiu a notícia na televisão de que Fidel, por causa da doença, deixava as responsabilidades que tinha no governo e eles sempre tinham dito que a Revolução Cubana caia no dia em que Fidel morresse. Porque a Revolução era Fidel e no dia em que Fidel não estivesse cá, se morresse ou deixasse o Governo, no dia seguinte, a Revolução caía, e calcularam que haveria confrontos internos, que ia haver descontentamento com isto e com aquilo. Cálculos, que não sei de onde raio os tiraram, mas em que acreditavam. E nesse momento eles acreditavam que era hora de começar a agir.
CIA: O MELHOR QUE PODE ACONTECER É QUE MATEM UM OPOSITOR 

Estamos falando de 2006. E qual era o plano? 
Chamam-me automaticamente. Reunimo-nos, o chefe da estação da CIA, aqui em Havana, também apareceram funcionários diplomáticos e um disse-me: "Vamos organizar uma provocação. Vamos organizar um levantamento popular num bairro no centro de Havana, que haja uma pessoa disposta a erguer-se pela democracia, e vamos executar um conjunto de provocações, em lugares diferentes, de modo a que as forças de segurança cubanas sejam forçadas a atuar contra essa gente e então vamos montar uma grande campanha de imprensa". E começa explicando como tudo isso iria funcionar. A coisa interessante e que chamava muito a atenção, era como seria possível que um funcionário da Secção de Interesses dos Estados Unidos tivesse o poder de convocar a imprensa e que as pessoas obedecessem com esse servilismo. Foi muito marcante. A ideia era, e eu disse-lhe mesmo, "o que estás dizendo é um disparate. Quero dizer, esse homem que me mencionaste, chamado Alci Ferrer – o jovem que tinham escolhido; um agente jovem, médico, tinha sido escolhido para ser o líder da revolta – eu disse que esse rapaz não moverá ninguém. Ninguém se vai levantar no centro de Havana. A data escolhida é, nada mais nada menos, que o aniversário de Fidel e querem esse dia! Olha amigo, se esse homem, nesse dia, aparece fazendo proclamações, ou a querer levantar alguma coisa no centro de Havana, as pessoas vão reagir forte, inclusive, é possível que esse homem seja morto. Porque, como é num bairro de trabalhadores humildes, para fazer essas coisas, os vizinhos..." E ele diz-me, literalmente, "a melhor coisa que nos pode acontecer, a nós, é que o homem seja morto; se matam esse homem, será perfeito", e explica o que vai acontecer. "Só é preciso que ele provoque. Que saiam à rua e haja aí um confronto. Se isso acontecer, a imprensa será encarregada de construir o resto". E disse, "vamos montar uma grande campanha de mediática para mostrar que em Cuba há caos, que em Cuba há ingovernabilidade, que em Cuba Raul é incapaz de manter as rédeas do governo, que está matando civis, que está reprimindo os estudantes na rua, as pessoas na rua e a polícia está cometendo crimes". Qualquer semelhança com a Venezuela, não é por acaso. É assim.

Então, o que deveria acontecer em tais circunstâncias? 

Uma vez criadas todas as matrizes de opinião e que todos os meios de comunicação tivessem construído essa imagem, que o mundo inteiro tivesse a visão de que em Cuba havia uma grande confusão e estavam matando as pessoas, que estava acabando tudo, então, a minha organização deveria cumprir a tarefa final.
A CIA TRABALHA DIRETAMENTE COM AS EMBAIXADAS DOS EUA NA AMÉRICA LATINA 

Qual era a tarefa final? 

Bem, chamar a imprensa internacional e, na minha qualidade de professor universitário, na minha condição de escritor, na qualidade de líder dessa organização, eu vinha publicamente pedir ao Governo dos Estados Unidos a intervenção em Cuba, para garantir as vidas de civis e para trazer paz e tranquilidade ao povo cubano. Falar ao país em nome do povo cubano. Imagine-se!

Esse plano fracassa. Não deu resultado, mas é quando se vê, mais tarde, como se arma a guerra na Líbia e a maneira como ela é construída. Mais de 80% da informação que vimos, foi construída, foi fabricada. Fazem o mesmo na Síria e o mesmo estão a fazer na Ucrânia. Eu tive a oportunidade de conversar com muitos ucranianos, que estavam na base. Pessoas que são a favor da adesão à Europa. Procurei falar com eles nesses dias. Procurando, perguntando, como são esses processos? E eles ficaram impressionados com as imagens que o mundo transmitiu. O que passou em Miami, e eles mesmos dizem, nós estávamos reclamando aí, mas essas coisas que aparecem na televisão, isso era um grupo, ou seja, havia sectores, havia lugares onde havia grupos de direita, de muito extrema direita, onde havia este tipo de incidentes e onde se incendiava, mas a maioria das manifestações, não tinha tais características. Ou seja, esta é, mais uma vez, a repetição do esquema, usando todos os meios de comunicação.

Então a relação entre a CIA e as embaixadas dos respectivos países são diretas? 

Sim, completamente. Em cada embaixada na América Latina, todas as embaixadas americanas têm agentes da CIA trabalhando dentro delas, usando a fachada de funcionários diplomáticos.

Pelo que conhece, onde há maior presença da CIA na região? 

Bem, num determinado momento, o Equador foi uma potência forte na matéria onde havia uma forte concentração e, claro, Venezuela, porque em 2012, quando eu assisto à Feira do Livro em Caracas, toda essa gente que tinha trabalhado comigo em Cuba, todos esses agentes da CIA, incluindo Kelly Keiderling, estavam em Caracas nesse momento. E eu participo num programa de televisão, na Venezolana de Televisión, onde discutimos esta questão, tendo muito cuidado, porque estávamos falando de dois países que têm relações. Esse não é o caso de Cuba, ou seja, Cuba não tem relações com os Estados Unidos. Esse é um inimigo declarado. Mas estávamos falando de funcionários que tinham relação diplomática e era muito complicado fazê-lo, sem ter provas concretas que pudesse apresentar. No entanto, a entrevista foi realizada e a denúncia do que estava acontecendo foi feita. Kelly Keiderling é uma especialista neste tipo de guerra. Eu não tenho a menor dúvida. Basta ver o percurso que ela tem. Os países onde esteve e quando esteve nesse tipo de conflito.
AS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS DE NOTÍCIAS SÃO INFILTRADAS PELA CIA 

Ela tem um percurso por uma série de países onde ocorreram situações semelhantes à que tentou criar na Venezuela. E quando se analisa a Venezuela e o que aconteceu nos dias de hoje e a forma como eles agiram, eu acho que na Venezuela a característica é que eles têm sido extremamente agressivos na manipulação da informação. A tal ponto que há imagens que são óbvias que não são na Venezuela. Eu estava olhando para uma muito famosa, onde aparece um soldado com um jornalista com uma câmara, que são coreanos. Esta é uma imagem da Coreia. São asiáticos. Não se parecem nada com venezuelanos. Até pelos uniformes usados. Eles têm sido muito agressivos com a imagem que é projectada para o mundo sobre o que está acontecendo na Venezuela. Eles controlam a comunicação. A imagem que maioria das pessoas no mundo está vendo é a imagem que eles estão interessados em dar.

Eles controlam os meios de comunicação. Você conhece algum caso de algum jornalista, conhecido ou desconhecido, que tenha visto nos processos de treino? 

Não.

CNN , por exemplo? 

Não. Houve um individuo que teve um vinculo comigo num dado momento, que serviu de ligação para conhecer um agente da CIA, que foi Antony Golden, que era da Reuters, mas um membro independente da Reuters. A CNN sempre esteve intimamente ligada a todas estas coisas. A CNN, desde o seu primeiro período de trabalho, especialmente nesta última etapa, e, especialmente, a CNN em espanhol, foi uma ferramenta inestimável para o trabalho dessa gente, mas o problema é que tem que se entender uma coisa, para compreender o que está acontecendo: para montar uma campanha destas, hoje, não existe nenhuma cadeia de televisão que atue por si só. Existem conglomerados e grupos de comunicação. Quem os dirige? Quem é o proprietário, por exemplo, da Time Warner e AOL e todos essas grandes empresas de comunicação, TV cabo, filmes de televisão, televisão em geral? Ah! é a Westinghouse, é a General Electric. As mesmas que fabricam um avião de combate. A mesma indústria de armas dos EUA são os mesmos que possuem hoje as cadeias de televisão, das produtoras de cinema, dos jornais, a gente que produz livros. Então, os mesmos tipos que produzem um avião de combate, um doce que vais comer à noite, que te apresenta um artista, são os mesmos que dirigem os jornais em todo o mundo. A quem responde essa gente?

Quando você vê o que está acontecendo na Venezuela e compara com o que se planeou aqui, a que conclusão pode chegar? 

É uma estratégia nova, que foram desenvolvendo com a experiência que tiveram no mundo, mas eu estou convencido que só lhes deu resultado nos lugares onde as pessoas não apoiavam a revolução. Conseguiram-no com Milosevic, porque Milosevic era um líder na Jugoslávia que tinha muito fraca imagem, pelas coisas que haviam acontecido na Jugoslávia. É o mesmo na Ucrânia, porque Yanukovich era um homem que tinha muito pouco apoio popular e deu resultado em outros lugares, pelo fraco apoio que tinham os governantes. Onde quer que tenha havido um governo legítimo, um governo forte e pessoas para defender a revolução, o plano falhou.
EUA CONTINUARÃO CONSPIRANDO E APERFEIÇOANDO A SUA CAPACIDADE DE DESTRUIR 

E que fase se segue quando esse plano falhar? 

Vão continuar a fazê-lo, vão continuar a aperfeiçoar. Nós somos o inimigo. Por outras palavras, Venezuela, Cuba, tudo o que está sendo feito na América Latina como alternativa. Nós somos os dissidentes do mundo. Vivemos num mundo onde o capitalismo domina. Onde domina esta nova maneira de ser do capitalismo, que já nem sequer se pode chamar imperialista, é algo novo, algo que vai muito além do que os estudiosos do marxismo escreveram, anos atrás. É algo novo, uma novidade. É um poder praticamente global, das grandes transnacionais, dos megalopólios que foram criados. Então, o inimigo somos nós. Estamos apresentando um projeto alternativo. A solução que o mundo nos propõe não é isso. Sabemos como fazê-lo e Cuba, Venezuela, os países da ALBA, têm demonstrado que se pode fazer. A Revolução Cubana tem 55 anos de existência. Está validada por 55 anos de existência e, com vontade política, tem conseguido coisas que os EUA, mesmo com todo o dinheiro do mundo, não conseguiram fazer. Então, isso é um mau exemplo.

Eu dizia aos meus alunos "vocês imaginam que os Indignados da Espanha, que milhares e milhões de trabalhadores que não têm trabalho em Espanha, que os gregos, que todas as pessoas em todo o mundo, sabem o que estamos fazendo? Imaginam que as pessoas sabiam quem era Chávez? Ou, quem é Fidel? Ou as coisas que estamos fazendo aqui? E as coisas que estamos fazendo com tão poucos recursos, apenas com a vontade de fazer a revolução e repartir a riqueza? O que aconteceria com o capitalismo? Quanto duraria o capitalismo, que tem que gastar milhares de milhões de dólares todos os dias, para construir a sua imagem e enganar as pessoas? E se as pessoas soubessem quem realmente somos? O que é realmente a Revolução Cubana e o que é, realmente, a Revolução Venezuelana?" Falas com um espanhol e perguntas por Chávez e ele dá uma opinião péssima de Chávez, porque é o que construíram na sua mente; e encontras uma pessoa desempregada que diz que Chávez é um tipo terrível, porque a Comunicação Social o tem convencido que assim é, mas se as pessoas soubessem o que é realmente... Então eles não podem permitir que inimigos tão formidáveis, como nós, possam estar ali à porta.

Do ponto de vista da soberania nacional dos nossos povos, como se pode travar o trabalho da CIA? Já falámos da consciência do povo, que é fundamental neste tipo de ação, mas, em concreto, como se pode prever o trabalho da CIA? O que se pode fazer? Que recomendações faria ? 

Eu acho que há uma coisa que disse Chávez, e Fidel sempre disse, que é a chave para derrotar o Império, que é a unidade. Não é um slogan, é uma realidade. É a única maneira que se tem de derrotar um projeto como este. Projeto surgido a partir dos Serviços Especiais e surgido a partir do capitalismo. Somente se pode conseguir com a unidade do povo.

Estaríamos falando do cívico-militar ? 

Sim, a unidade em todos os sentidos. A unidade baseada na diversidade, nos povos, mas a unidade como nação, a unidade como projeto. Onde quer que as pessoas estejam divididas, há outra realidade.
KEIDERLING COMO AGENTE DA CIA CHEGOU BEM LONGE NA VENEZUELA 

Onde temos que nos concentrar? Em que área terá que se concentrar a força para nos defendermos deste tipo de ações, desse tipo de ataque? 

O exército para derrotá-lo é o povo. Eu acho que a experiência cubana o ensinou muito bem. Há experiências no mundo que marcam muito. O que aconteceu no mundo quando o povo não foi o protagonista da defesa da revolução? E quando os povos têm sido o protagonista, o que aconteceu? É o caso de Cuba. Conseguimos derrotar a CIA e o Império milhões de vezes, porque o povo tem sido o protagonista.

A CIA usa as bases de dados de redes sociais e esse tipo de coisas, para definir os seus planos ? 

Eles são os proprietários. Bem, aí estão as denúncias de Snowden e tudo o que saiu do Wikileaks, que não são segredo para ninguém, porque se suspeitavam, mas agora está demonstrado. Mostra-se que os servidores internet, são deles. Todos os servidores do mundo acabam por morrer nos servidores norte-americanos. São a mãe da Internet e todas as redes e serviços são controlados por eles. Eles têm acesso a toda a informação. E não se percebe no momento da gravação. O Facebook é uma base de dados extraordinária. As pessoas colocam tudo no Facebook. Quem são os amigos, o que gostam, que filmes vêem, o que bebem. E isso é uma fonte de informações em primeiríssima mão.

Já esteve em contacto com Kelly Keiderling depois do que aconteceu na Venezuela? 

Não, não tive contato com ela. Não sei qual foi o seu destino final depois do que aconteceu (Foi expulsa da Venezuela por reunir-se e financiar terroristas).

Com a experiência que ela tem, até que ponto poderia ter penetrado na Venezuela e nas universidades venezuelanas? 

Eu tenho a certeza de que chegou bem longe. É uma agente muito inteligente, muito bem preparada, muito capaz e muito convencida do que está fazendo. Kelly é uma pessoa convencida do trabalho que está sendo realizado. Convencida da justeza, do seu ponto de vista, do que está fazendo. Porque é uma representante incondicional do capitalismo. Porque provem da elite do capitalismo. É parte da ação que está fazendo. Não há nenhuma contradição. E, com base na experiência do seu trabalho, na sua capacidade, eu tenho a certeza de que chegou muito longe, conseguiu ir muito longe e deu continuidade a um trabalho que não é novo, é um trabalho que vem fazendo desde há muito tempo para reverter o processo nas universidades venezuelanas. Até que ponto o conseguirão, a longo prazo, é o que vai mostrar o processo bolivariano, à medida que as pessoas estejam cientes do que pode acontecer. Se essa direita fascista se tornar incontrolável, vai alcançar o poder novamente.
TEMOS QUE TREINAR OS NOSSOS LÍDERES 

Qualquer pessoa com contatos, que tenha como chegar ao povo, como um ativista de um movimento, pode ser cooptado pela CIA? 

Vão encontrá-lo, vão tentar fazê-lo. Se é jovem e é um líder, vão tentar cooptá-lo para os seus interesses. Temos que formar os nossos líderes. Não podemos deixar isso à espontaneidade, nem podemos deixar isso para o inimigo. Se deixarmos isso ao inimigo é o inimigo que ocupa os espaços. Projeto alternativo que nós deixemos sem vigilância, projeto alternativo que não estejamos conscientes da necessidade de abordá-lo, é um projeto em que o inimigo vai tentar, por todos os meios, que seja feito por ele. Usando a grande quantidade de dinheiro que tem para isso, que não tem limite, em termos de recursos para usar, porque se eles estão jogando o futuro, sobretudo, os jovens são a chave.

A coisa boa é que os jovens são o presente da América Latina. A revolução latino-americana que está aí, que está em toda parte, é jovem. Se não, bem, nunca iria resultar e se conseguires que esses jovens pensem diferente, se conseguires que estes jovens acreditem que este capitalismo selvagem é a solução para todos os seus problemas, então não há revolução para a América Latina. Tão simples como isso.


Ver também: 

  • ZunZuneo, provocación anticubana en las redes sociales 
  • La NED, tapadera de la CIA y el golpismo en Venezuela 


  • Venezuela ante la ofensiva imperial 

    O original encontra-se em www.aporrea.org/actualidad/n247624.html . Tradução de Guilherme Coelho. 


    Esta entrevista encontra-se em http://resistir.info/ .
  • quinta-feira, 3 de abril de 2014

    A PALESTINA OCUPADA É AQUI E AGORA!

    Nota pública acerca da resistência popular contra a ditadura militar na Maré


    por marevive

    As grandes mídias executaram nos últimos dias suas rotinas promocionais e divulgaram o suposto grande sucesso da invasão militar para “pacificar” a Maré. O governador Cabral veio a público constar: “Hoje foi, sem dúvida, um dia histórico.” e o secretário de segurança pública Beltrame afirmou: “Mais uma vez, fomos muito bem. Vamos entregar o terreno a quem merece e é dono, que é a população. Tudo correu tranquilamente. Para nós não foi surpresa, por que todas as ocupações têm sido assim.”
    Contrariam radicalmente este espetáculo midiático recorrentes relatos sobre violações e abusos pelo lado dos policiais durante a invasão. Policiais entrando nas casas sem mandado; com “toca ninja” ameaçando moradores de morte; depredando bens e roubando eletrodomésticos sem nota fiscal; tratando moradores com violência verbal e apontando armas de fuzil para os seus rostos; constrangendo e agredindo crianças como no caso de policiais mandarem-nas deitar e em seguida pisarem em suas cabeças; prisão coletiva de menores que protestaram por causa de morte de um adolescente, que foram levadas à delegacia em caminhão da Polícia Militar; constrangimento e prisão de idosos; invasão de casa com moradora que estava sozinha e diante da presença ameaçadora da polícia se viu forçada de correr para a rua vestida apenas com roupa íntima.
    A grande imprensa divulgou imagens de moradores presos acusando-os de serem traficantes que em seguida foram liberados por não terem nenhum envolvimento e serem inocentes (sem que houvesse uma retratação). Nos casos de mortos e feridos, tem sido difícil apurar ao certo, pois há dificuldade de checar informações, mas temos a confirmação de um jovem de 15 anos morto sem divulgação da causa de sua morte, um jovem de 18 anos baleado e que veio a falecer, e de mais dois adolescentes baleados.
    Nós, moradores que estamos envolvidos com a luta pelos direitos humanos fundamentais dos cidadãos que vivem em favelas, estamos colocando esforços para denunciar estes muitos casos de abuso que estão acontecendo com nossos familiares e vizinhos. A presença de diversos grupos de defensores de direitos humanos no domingo, coletivos de advogados, a Comissão de Direitos Humanos da OAB, o NIAC (UFRJ), o Coletivo Tempo de Resistência, a Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, foi uma contribuição importante para a luta e resistência dos moradores. Não apenas por atuar em campo fiscalizando o trabalho da polícia e registrando ocorrência de abusos, mas também para testemunhar as dificuldades que a organização popular sofre diante da opressão militar, que não se inibiu em manifestar intimidação contra nós nem diante da presença dos advogados.
    Nós, que estamos articulados em organizações populares e empenhados a lutar contra o Estado opressor, estamos sofrendo perseguição e intimidação. Entre outros, uma blazer branca com dois policiais seguiu e filmou de forma intimidadora a Comissão de Direitos Humanos da OAB que estava fiscalizando a atuação ilegal da polícia, e um helicóptero ficou dando várias voltas onde estavam os membros da Comissão. Entendemos que essa opressão é para coibir nossa atuação de resistência e impedir que façamos mobilizações e denúncia dos casos de abuso e violência praticados pela polícia.
    Esta invasão foi tão pouco tranquila como as outras invasões em favelas do Rio de Janeiro. Sabemos que este é só o começo de toda uma onda de opressão através da política de extermínio e militarização nas favelas. É imperativo o fortalecimento da resistência. Moradores de favelas, movimentos sociais, defensores de direitos humanos e todas e todos que lutam por uma sociedade justa e igualitária, juntem-se a luta de resistência na Maré e em todas as favelas! Os opressores não calarão as nossas vozes.
    Favela resiste. Viva favela!
    Assinam esta nota:
    Advogados Ativistas (SP)
    Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola
    Cidadela – Arte, Cultura e Cidadania
    Cineclube Beco do Rato
    Cineclube Mate Com Angu
    Círculo Palmarino
    Coletivo Tempo de Resistência
    Coletivo Laboratório de Direitos Humanos de Manguinhos
    Comissão de Direitos Humanos da OAB
    Fórum Popular de Apoio Mútuo
    Federação Anarquista do Rio de Janeiro
    Justiça Global
    Marcha Mundial das Mulheres
    Movimento de Organização de Base
    Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
    Núcleo de Assessoria Jurídica Popular Luiza Nahin
    Núcleo Interdisciplinar de Ações para a Cidadania – Niac/UFRJ
    Ocupa Alemão
    Ocupa Lapa
    Organização Anarquista Terra e Liberdade
    Organização Popular
    Quilombo Xis Ação Cultural Comunitária
    Reaja ou Sera Morto, Reaja ou Sera Morta
    Rede de Comunidades e Movimentos contra Violência
    Rede Nacional de Advogados Populares – Renap-RJ
    Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro
    Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II – Sindiscop
    Postado do: http://marevive.wordpress.com/2014/04/01/nota-publica-acerca-da-resistencia-popular-contra-a-ditadura-militar-na-mare/

    quarta-feira, 2 de abril de 2014

    Ditadura criou cadeias para índios com trabalhos forçados e torturas


    Minidocumentário originalmente publicado em junho de 2013 na reportagem Ditadura criou cadeia para índios com trabalho forçado e torturas, do Concurso de Microbolsas de Reportagem da Pública. Clique nos links abaixo para ler outros textos da série da Agência Pública:




    Índios foram submetidos a trabalhos forçados e torturas. Reparação de crimes cometidos nas aldeias ainda é pouco debatida. 

    Por André Campos
    De 1969 até meados da década de 1970, a Fundação Nacional do Índio (Funai) manteve silenciosamente em Minas Gerais dois centros para a detenção de índios considerados “infratores”. Para lá foram levados mais de cem indivíduos de dezenas de etnias, oriundos de ao menos 11 estados das cinco regiões do país. O Reformatório Krenak, em Resplendor (MG), e a Fazenda Guarani, em Carmésia (MG), eram geridos e vigiados por policiais militares sobre os quais recaem diversas denúncias de torturas, trabalho escravo, desaparecimentos e intensa repressão cultural. Os presos incluíam até mesmo indivíduos que lutavam contra a invasão de áreas hoje oficialmente reconhecidas como território indígena.
    Muito pouco se divulgou sobre o que de fato acontecia nesses campos de concentração étnicos. Se a reparação dos crimes cometidos pela ditadura nas cidades brasileiras ainda engatinha, nas aldeias situação é ainda pior. Até hoje, nenhum índio ou comunidade indígena foi indenizado pelos crimes de direitos humanos ocorridos nesses locais. Nunca houve qualquer manifestação formal do Estado brasileiro reconhecendo a existência de tais crimes.
    http://reporterbrasil.org.br/2014/04/ditadura-criou-campos-de-concentracao-indigenas/

    terça-feira, 1 de abril de 2014

    Um plano americano para uma longa guerra contra a Sír

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    O objetivo dos esforços desenvolvidos pelos Estados Unidos, com OTAN, Turquia, Arábia Saudita e Qatar, é sangrar a Síria e impedir a sua recuperação, desde que essa aliança se deu conta de que a queda do regime e a derrubada do Presidente Bashar al-Assad são impossíveis.
    A maneira de intensificar a guerra contra a Síria esteve no centro das discussões do Presidente Barack Obama na Arábia Saudita, no sábado. As declarações das autoridades dos EUA que acompanharam Obama mostraram que ambas as partes concordaram em aumentar a ajuda dos EUA para grupos armados na Síria, descritos como "moderados" por Washington. Estes são na verdade a Frente Islâmica e a Frente al-Nusra, afiliada com a Al-Qaeda, cujo líder, Abu Mohammad al - Joulani, viu seu nome retirado da lista americana de terroristas.
    Alguns membros da delegação dos Estados Unidos relataram um projeto de treinamento de campo para 600 rebeldes por mês, organizado por Arábia Saudita, Qatar, Jordânia e Turquia (o envolvimento da Turquia já não precisa de declarações públicas). As fontes disseram que Obama reiterou sua recusa de entregar mísseis antiaéreos para os grupos rebeldes. No entanto, os serviços de inteligência saudita têm dado aos insurgentes, nos últimos meses, provavelmente com o consentimento e o apoio dos EUA, sofisticadas armas que, recentemente, têm sido utilizadas nas batalhas de Qalamoun. Grandes quantidades dessas armas foram encontradas em armazéns nessa região.
    Os Estados Unidos, em cooperação com seus aliados, querem causar uma longa guerra de atrito na Síria, formando novos grupos armados, como os Contras na Nicarágua, que foram apoiados e reconstituídos, apesar das sucessivas derrotas, contra as forças Sandinistas. Esforços estão sendo feitos para enviar mais homens e armas à Síria, para prolongar a guerra e a destruição. O projecto de treinamento mensal prova a existência de um plano de longo prazo, principalmente baseado em assassinatos e sabotagem, a fim de impedir o avanço do exército Sírio no campo bem como a recuperação do Estado sírio. Esse plano de treinamento destina-se a compensar o retorno ao estado de milhares de ex-rebeldes, através de reconciliação e anistias presidenciais, e a reversão dos fluxos de migração de extremistas estrangeiros.
    É neste contexto que acontece o envolvimento direto da Turquia na Guerra Síria. Após a última visita de Recep Tayyeb Erdogan a Teerã, os meios de comunicação turcos relataram que Ancara tinha concordado com o lado iraniano de que a prioridade deveria ser a luta contra o terrorismo na Síria. Mas, parece que a realidade era outra. A Turquia tem, na verdade, planejado e organizado o ataque de grupos terroristas contra a cidade Síria de Kassab (ao norte de Latakia), cujos habitantes são sobreviventes do genocídio armênio. O objetivo deste ataque é abrir uma nova frente para perturbar a organização das próximas eleições presidenciais na Síria.
    Entretanto, apesar desses esforços dos Estados Unidos e seus aliados, a Síria é capaz de resistir por muito tempo, graças ao apoio popular dado às forças armadas e ao Estado, e ao apoio de seus aliados regionais e internacionais.
    Tradução
    Marisa Choguill
    http://www.voltairenet.org/article183055.html

    Washington expulsa todos os diplomatas sírios

    A primeira decisão de Daniel Rubinstein, novo embaixador dos Estados Unidos para a Síria –não na Síria, porque não solicitou a apresentação das suas cartas credenciais ao presidente Bachar al-Assad–, foi declarar todos os diplomatas sírios credenciados nos Estados Unidos persona non grata.
    Como resultado dessa decisão a embaixada da Síria em Washington, e os consulados sírios em Troy (Michigan) e Houston (Texas), têm que fechar as suas portas em 48 horas, e os diplomatas sírios estão obrigados a sair dos Estados Unidos.
    Devido às obrigações dos Estados Unidos enquanto sede da ONU a decisão não se aplica à missão síria em Nova Iorque. Mas, o embaixador permanente da Síria na sede das Nações Unidas recebeu na semana passada uma notificação onde se lhe proíbe circular em território americano, já que o acordo de sede entre a ONU e os Estados Unidos só se aplica ao perímetro da cidade de Nova Iorque.
    No seu comunicado oficial sobre esta decisão, o Departamento de Estado afirma que esta não implica uma ruptura de relações diplomáticas com Damasco, e que os Estados Unidos prosseguirá as discussões com o Estado sírio nos fóruns internacionais.
    
    Tradução Alva
    http://www.voltairenet.org/article182851.html

    50 anos do golpe militar: de tragédias e farsa



    por Mauro Iasi [*]

    "Na antiguidade e continuação do domínio 
    gasta-se a memória" 
    Maquiavel 

    Sob vários aspectos a consciência social do período histórico que se abriu com o fim da segunda Guerra Mundial foi marcado por um certo otimismo quanto a humanidade e seus destinos. Exemplos deste otimismo podem ser vistos tanto na idílica visão de T. H. Marshal sobre a evolução dos direitos até a realização de uma cidadania plena, até a expansão do socialismo com a Revolução Chinesa, a Cubana e o processo de descolonização na Ásia e África.

    A tragédia de duas guerras mundiais, a barbárie do nazifascismo, teria marcado a consciência dos seres humanos criando uma espécie de patamar abaixo do qual não mais recuaríamos. Infelizmente as coisas não são assim. Wilhelm Reich afirmou, certa vez, que toda vez em que a humanidade se vê diante da disjuntiva "socialismo ou barbárie", costuma escolher primeiro a barbárie. A onda de golpes seguidos pelo estabelecimento de ditaduras que assombraram a América Latina comprovaria esta suspeita e esta cota de terror e sangue foi paga em nome da defesa da ordem democrática e do mundo livre.

    Hoje nos encontramos diante de um paradoxo semelhante. Pareceria à consciência ingênua de nossa época que a América Latina teria chegado atrasada à ordem democrática mundial, no entanto, a própria experiência trágica do período autoritário funcionaria como uma espécie de antídoto contra retrocessos. Nossas sociedades passariam, então, para um desenvolvimento lento em direção ao aperfeiçoamento democrático e a diminuição das desigualdades que nos marcam.

    Duas constatações são para nós evidentes. Primeiro que a suposta dicotomia de uma ordem mundial dividida entre um centro democrático no qual se ensaiava formas de um Estado do Bem-estar Social, próprias de um capitalismo avançado, e uma periferia que ainda vivia distorções autoritárias por conta de seu precário desenvolvimento econômico, não se sustenta. Segundo que o próprio centro, ao contrário do mito do auto-aperfeiçoamento institucional que levaria à plena cidadania, dá sinais claros de retrocesso quanto a direitos e, até mesmo, padrões minimamente democráticos, como provam as leis restritivas em relação aos imigrantes na Comunidade Européia e o Patriot Act nos EUA depois dos atentados de setembro de 2001.

    Tanto na conjuntura dos anos sessenta e setenta como hoje, a raiz da ilusão reside na desconsideração da luta de classes. Bobbio acreditava que as sociedades contemporâneas se apresentavam de duas formas:

    "Em uma sociedade fortemente dividida em classes contrárias, é provável que o interesse da classe dominante seja assumido e sustentado até mesmo coercitivamente enquanto interesse coletivo. Em uma sociedade pluralista e democrática, na qual as decisões coletivas são tomadas pela maioria (ou pelos próprios cidadãos, ou por seus representantes), considera-se interesse coletivo aquilo que foi aprovado pela maioria." (BOBBIO, Norberto. Teoria geral da política . Rio de Janeiro: Campus, 2000. p. 220-221.)

    Notem que segundo o juízo deste senhor pode parecer que uma sociedade democrática e pluralista não é uma sociedade fortemente dividida em classes, como se o antagonismo de classe fosse um fenômeno político e não tivesse raízes econômicas fincadas solidamente nas relações sociais de produção e formas de propriedade. Nossas sociedades latino-americanas, nesta perspectiva, foram sociedades fortemente divididas em classes e deveriam se empenhar para transitar para sociedades "democráticas e pluralistas".

    O que se confirmou na experiência histórica do século XX é que os períodos "democráticos" cumprem a função que Engels já descrevera de ser um "termômetro da luta de classes", e acreditou prudente acrescentar que nunca foi e nunca poderia ser algo mais que isso, ou seja, não era uma forma que ocupava o lugar da luta de classes pela possibilidade de formação de consenso, mas apenas uma forma da luta de classes que sob ela continuava a existir e se aprofundar.


    A experiência "democrática" não foi interrompida pelo golpe. A experiência "democrática" levou ao golpe. A ideia que hoje tenta-se apresentar é a de que aquela experiência foi interrompida e junto como isso realimenta-se a ilusão que pode ser retomada de onde parou. Pior, a interrupção é avaliada como resultante de um certo radicalismo que não compreendia o horizonte das reformas e a necessidade de seu gradualismo e acaba provocando as forças reacionárias que acabam por impor a alternativa golpista.


    Esta visão absolutamente distorcida se apresenta na avaliação de Emir Sader em texto recente neste blog . Ao avaliar os acontecimentos que levaram ao golpe e enfatizar o erro estratégico do PCB e sua tese de uma Revolução Democrática Nacional, o sociólogo afirma que "o próprio PCB teve muita dificuldade para entender o nacionalismo no Brasil", ora se aproximando de Getúlio Vargas e ora abrindo suas baterias contra ele. Da mesma forma agiu com Goulart, ora apoiando suas reformas, ora tencionando-as e contribuindo para a radicalização que acabou por derrubá-lo.

    Não se trata de um mero acerto de contas com o passado, mesmo neste aspecto insuficiente e precário, pois o autor precisa se decidir se critica o PCB pelo erro de supor o papel progressista de uma inexistente "burguesia nacional", crítica com que concordamos, ou por não apoiar decididamente as forças nacionalistas e suas reformas. Não se trata disso, mas da tentativa ideológica de identificar o atual governo Dilma como continuador das reformas e conclamar, apesar das evidências antipopulares e mesmo antidemocráticas do atual governo (vide a portaria do Ministério da Defesa que estabelece as Operações de Garantia da Lei e da Ordem), a que todos se empenham em apoiá-lo contra as forças reacionárias.

    É por isso que ao fim de uma análise pobre e tergiversada Sader conclui, logo após afirmar que parte do PCB vai para a aventura do PPS e cai no campo da direita, que:

    "desde então o nome PCB foi resgatado pelos que resistiram a essa operação, mas sem maior representatividade e peso político, defendendo posições de ultra-esquerda, sem tirar lições dos erros que cometem em relação ao Getulio, para reproduzi-los em relação ao Lula."

    Quais lições teríamos que tirar de nossa experiência? O erro do PCB foi não ter apoiado mais decididamente o nacionalismo de Getulio ou o reformismo limitado de Goulart? Sader desconsidera um nexo essencial, qual seja, a estratégia Democrática Nacional supunha uma aliança com a burguesia nacional e daí uma relação tática com governos burgueses de caráter "nacionalista", como forma de acumular para uma revolução socialista, daí o apoio a Getulio em uma determinada fase, assim como a Goulart, no entanto, tal apoio não se dava sem lutas e pressões para avançar as reformas ou na defesa de posturas antiimperialistas.

    A postura do PCB deveria ser apoiar mais e pressionar menos, é isso?

    O paralelo com os atuais governos petistas não cabe. São governos fundados em um pacto social de natureza profundamente distinta, não com uma suposta burguesia nacional, mas com a grande burguesia monopolista em suas mais diversas expressões (industrial, financeira, agrária e comercial) que aceitando como limite intransponível a economia de mercado capitalista, buscam uma forma de produzir um tipo de desenvolvimento que combine crescimento dos lucros privados e políticas distributivistas focalizadas, inserção via crédito e consumo, certa garantia de emprego com precarização de condições e flexibilização de direitos. Os governos petistas abandonaram qualquer perspectiva reformista, assumiram a tese da contrarreforma do Estado e de seu saneamento e equilíbrio financeiro que combina a política de superávits primários com o estrangulamento de políticas públicas, assim como intensificou as formas diretas e indiretas de privatização, tais como as Fundações Públicas de Direito Privado, as OS e OCIPS e outras formas. Paralisam e obstaculizam a reforma agrária, destruíram a previdência pública e condena o setor público ao descaso.

    Fazer oposição a este tipo de governo é "ultra-esquerdismo"? Tal caracterização é útil ao ideólogo, pois ainda lhe resta a dignidade de uma posição de "esquerda". Tal construção argumentativa só pode se manter transformando a caracterização de esquerda como algo relativo, isto é, "define-se por quem está à sua direita". Há forças políticas à direita do PT (como governo e certamente como partido, pois são duas coisas distintas). Há setores políticos da grande burguesia que se apresentam como alternativa de governo dentro do bloco conservador, como o PSDB, PPS e seus aliados, assim como há a extrema direita e os saudosistas do regime militar, mas isso não faz nem do governo, nem do partido que lhe dá sustentação política, uma força de esquerda.

    Programaticamente e politicamente o PT e seu governo assumiram um perfil de centro (pela natureza do programa econômico, pela opção de forma política e pelo horizonte societário para qual apontam e que abandonou qualquer perspectiva socialista). Na situação real de governo, com as alianças incontornáveis que lhe confere governabilidade, assume a forma de uma aliança de centro-direita.

    É evidente que forças de esquerda podem e, em certas situações devem, apoiar governos de centro. Mas será esse o caso no Brasil? Os entusiastas do voto útil apregoam que diante de um evidente ataque de direita e ameaças de extrema direita, a esquerda deveria garantir a continuidade do governo de pacto social de centro-direita para evitar o retrocesso.

    Tal argumentação é, acima de tudo, falaciosa. A direita não se define, pelo menos para quem não abandonou o marxismo, pela sigla partidária registrada no TSE, mas por seu caráter de classe. A grande burguesia monopolista não está na oposição, está no governo. Ou será que precisamos evitar a vitória das siglas partidárias da direita explícita para evitar que o rei do agronegócio, o senhor Maggi, tenha alguma influência no governo, ou a bancada ruralista da senhora Kátia Abreu tenha mais acesso do que já tem, ou ainda o grupo Votorantin, ou os grandes bancos e as empreiteiras?

    Diante deste fato a extrema direita, que existe e está se movimentando, está isolada. A classe dominante brasileira acredita que pode garantir seus interesses nos limites da ordem institucional estabelecida, o que não implica que ela, no jogo eleitoral, não tenha suas preferências, assim como não se utilize de vários expedientes para enfraquecer o atual governo e colocá-lo mais docilmente sob seu controle.

    A esquerda tem, neste cenário, outro papel do que salvar o atual governo de sua instável e eficiente política de alianças. A desastrosa experiência política do PT desarma os trabalhadores naquilo que seria o mais fundamental neste contexto conjuntural: sua autonomia e independência de classe.

    Depois de nos desarmar diante de nossos inimigos, os atuais governistas e conciliadores, reclamam que não estamos dispostos a defendê-los quando estes ameaçam atacá-los. Aconselho que procurem o PMBD. Se fosse real esta inflexão, a busca de apoio da esquerda, o atual governo deveria, no mínimo, anunciar uma mudança de curso e apontar para demandas populares que emergiram claramente nas ruas em junho de 2013. No lugar disso a presidente anuncia a fé na lei de responsabilidade fiscal e ameaça os manifestantes com a reedição de instrumentos autoritários e repressivos. Desejamos sorte, eles vão precisar.

    Por fim, nunca é demais lembrar os bons e velhos Karl Marx e Friedrich Engels, quando defendiam que os trabalhadores deveriam participar das eleições e apoiar seus candidatos próprios "mesmo que não exista esperança alguma de triunfo", pois o fundamental é "conservar sua independência" defendendo claramente suas propostas revolucionárias. E diante da alegação que isto pode levar a uma vitória dos conservadores, respondem:

    "Os operários não devem deixar-se enganar pelas alegações dos democratas (pequeno-burgueses) de que, por exemplo, tal atitude cinde o partido democrático e facilita o triunfo da reação. Todas estas alegações não perseguem senão o fim de iludir o proletariado. Os êxitos que o partido proletário alcançar com semelhante atitude independente pesam muito mais que a presença de uns quantos reacionários na assembléia representativa. Se os (democratas pequeno-burgueses) agissem resolutamente, desde o princípio, com medidas terroristas contra a reação, a influência desta nas eleições ficará de antemão eliminada" (Marx e Engels. Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas [1850] ).

    O interessante é que, por este raciocínio obtuso, o PT não existiria, pois teria apoiado o MDB e não apostado na independência de classe por receio de divisão da frente democrática e retrocesso da ditadura. Posição, aliás, que o PCB defendeu e estava equivocado ao fazê-lo. É verdade, é necessário aprender com nossos erros ou estamos condenados a repetir o equívoco dos outros. Nós comunistas aprendemos e os petistas… aprenderão?


    [*] Sociólogo, brasileiro, membro do CC do PCB , co-autor de Cidades Rebeldes: passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil , candidato à Presidência da República.

    O original encontra-se em blogdaboitempo.com.br/...

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .


    sábado, 29 de março de 2014

    CENTRAIS, PARTIDOS E MOVIMENTOS CONVOCAM MANIFESTAÇÃO


    DIA DA TERRA PALESTINA É DIA DE LUTA CONTRA A OCUPAÇÃO SIONISTA NA PALESTINA


    DESCOBERTO COMPLÔ TURCO PARA PROVOCAR UMA GUERRA ABERTA CONTRA SÍRIA

    Gravações de várias reuniões  da Segurança Nacional da Turquia publicadas anonimamente no YOU TUBE, em 27 de março de 2014, demostram  a existência de um complô operado pelo governo de Erdogan para entrar em guerra aberta contra a Síria. Tomado de pânico pela denuncia nas redes sociais,  o governo turco cortou bruscamente o acesso do povo ao YOU TUBE, ao mesmo tempo que denuncia  violação de segredo militar.

    Los cuatro conspiradores: Ahmet Davutoglu, ministro de Relaciones Exteriores; el general Yasar Guler, jefe adjunto del estado mayor; Hakan Fidan, jefe de los servicios secretos, y Feridun Sinirlioglu, secretario de Estado para las Relaciones Exteriores.
    El 27 de marzo de 2014, fragmentos de varias grabaciones de una reunión de la Seguridad Nacional turca fueron dados a conocer en internet. El gobierno turco bloqueó de inmediato el acceso de la ciudadanía a YouTube.
    Según esas grabaciones, el gobierno de Recep Tayyib Erdogan preparó un falso ataque del Emirato Islámico de Irak y el Levante (EIIL) contra la tumba de Suleiman Shah, en Siria, para justificar una intervención del ejército turco en territorio sirio.
    Suleiman Shah, abuelo de Osmán I, fundador del Imperio Otomano, estaba enterrado en la ciudad siria de Alepo. Su tumba fue desplazada en 1973 pero sigue siendo un enclave extraterritorial turco en territorio sirio.
    El 20 de marzo de 2014, el EIIL exigió la retirada de las tropas especiales turcas secretamente desplegadas en Siria y amenazó con destruir la tumba de Suleiman Shah si se ignoraba su exigencia.
    El problema que enfrentan los conspiradores turcos es que el EIIL había ocupado esa tumba desde hace meses sin que se produjese ninguna reacción de Ankara. Lo que podía parecer una razón relativamente justificada, pierde así todo valor y se hace evidente que no pasa de ser un simple pretexto.
    A continuación, el texto de las grabaciones: 
    Primera parte
    https://www.youtube.com/watch?v=c-1GooSDwJ8#t=76
    Ahmet Davutoglu (ministro de Relaciones Exteriores): El primer ministro ha declarado que en la actual coyuntura este ataque [contra la tumba de Suleiman Shah] debe ser considerado como una oportunidad para nosotros.
    Hakan Fidan (jefe de los servicios secretos): Voy a enviar 4 sirios, si eso es lo que hace falta. Voy a crear un casus belli [1] ordenando un ataque con misiles contra Turquía. También podemos preparar un ataque contra la tumba de Suleiman Shah si es necesario.
    Feridun Sinirlioglu (secretario de Estado para las Relaciones Exteriores): Nuestra seguridad nacional se ha convertido en una herramienta práctica y barata de la política.
    Yasar Guler (jefe adjunto del estado mayor): Es uncasus belli. Quiero decir que lo que vamos a hacer es crear uncasus belli.
    Ahmet Davutoglu: [...] ¿Qué debe hacer nuestro ministerio de Relaciones Exteriores exactamente? No hablo de la cosa. Hay otras cosas que se supone que debamos hacer. Si nos decidimos sobre ese asunto, tenemos que informar a las Naciones Unidas, al consulado del régimen sirio en Estambul. ¿No?
    Feridun Sinirlioglu: Pero si decidimos una operación, hay que crear un efecto impactante. Quiero decir, si vamos a hacerlo. No sé qué vamos a hacer pero, sin importar lo que decidamos, no pienso que sería apropiado que avisemos a alguien por adelantado.
    Ahmet Davutoglu: De acuerdo pero de alguna manera vamos a tener que preparar. Para evitar los cortocircuitos en materia de derecho internacional. Acababa precisamente de darme cuenta, mientras hablaba con el presidente [Abdullah Gul], que si los tanques turcos van allá eso significa que estamos allá, en todo caso. ¿No?
    Yasar Guler: Eso significa que estamos allá. Sí.
    Ahmet Davutoglu: Sí, pero hay una diferencia entre ir con aviones e ir con tanques…
    Yaşar Güler: Quizás podemos decir al consulado general sirio que el Emirato Islámico en Irak y el Levante trabaja actualmente del lado del régimen y que ese lugar es tierra turca. Ciertamente tendríamos…
    Ahmet Davutoglu: Eso ya lo dijimos y enviamos varias notas diplomáticos.
    Yasar Guler: A Siria…
    Feridun Sinirlioglu: Exactamente.
    Ahmet Davutoglu: Sí, las hemos enviado muchas veces. Por lo tanto, yo quisiera saber qué es lo que el jefe del estado mayor espera de nuestro ministerio.
    Yasar Guler: Quizás su intención era decir que… en verdad no sé. Él se reunió con el señor Fidan.
    Hakan Fidan: Bueno, él mencionó esta parte pero no nos detuvimos en los detalles.
    Yasar Guler: Puede ser que lo que él quería decir era… ¿una nota diplomática dirigida a Siria?
    Hakan Fidan: Puede ser que el ministerio de Relaciones Exteriores esté destinado a la coordinación…
    Ahmet Davutoglu: Quiero decir, yo puedo coordinar la diplomacia… pero la guerra civil… el ejército…
    Feridun Sinirlioglu: A eso me refería. Por un lado, la situación es diferente. Una operación contra el EIIL tiene bases sólidas en derecho internacional. Lo presentaremos como al-Qaeda. No hay problema si es algo que tiene que ver con al-Qaeda. Y se trata de defender la tumba de Suleiman Shah, es una cuestión de protección de nuestra tierra.
    Yasar Guler: No tenemos problema con eso.
    Hakan Fidan: Cuando suceda eso va a provocar una gran conmoción interna. La frontera no está bajo control…
    Feridun Sinirlioglu: Quiero decir… sí habrá atentados, claro está. Pero recuerdo nuestra conversación de hace 3 años…
    Yasar Guler: El señor Fidan tendría que recibir respaldo con toda urgencia y tenemos que ayudarlo a abastecer en armas y municiones a los rebeldes. Tenemos que hablar con el ministro…. nuestro ministro del Interior… nuestro ministro de Defensa. Tenemos que hablar de esa cuestión y llegar a una decisión, señores.
    Ahmet Davutoglu: ¿Cómo fue que llegamos a poner a nuestras especiales en acción cuando hubo una amenaza en el norte de Irak? Teníamos que haber hecho lo mismo allí también. Teníamos que haber entrenado a esa gente y enviar hombres. En todo caso, nosotros no podemos hacerlo, nosotros podemos hacer únicamente lo que la diplomacia…
    Feridun Sinirlioglu: En aquella época yo se lo dije a ustedes, por el amor de Dios, en general. Ustedes saben cómo fue que llegamos a tener aquellos tanques allí. Ustedes estaban presentes.
    Yasar Guler: ¿Qué? ¿Usted quiere decir, nuestros asuntos?
    Feridun Sinirlioglu: Sí. ¿Cómo piensan ustedes que logramos enviar nuestros tanques a Irak? ¿Cómo? ¿Cómo logramos implicar fuerzas especiales y tropas. Yo estuve metido en eso. Permítanme ser claro. No había una decisión del gobierno sobre eso. Nosotros logramos eso con una sola orden.
    Yasar Guler: Bueno, estoy de acuerdo con usted en una cosa, nosotros no tenemos por qué discutir sobre eso. Pero hay varias cosas que Siria puede hacer desde ahora.
    Ahmet Davutoglu: General, la razón por la que decimos «no» a esta operación es porque conocemos la capacidad de esos hombres.
    Yasar Guler: Mire, señor. ¿MKE [Mechanical and Chemical Industry Corporation] no está a las órdenes del ministro? Señor, quiero decir, Qatar está buscando municiones para comprarlas al contado, en efectivo. Entonces, ¿por qué no lo hacemos nosotros? Es por orden del señor ministro…
    Ahmet Davutoglu: Pero es el lugar. No podemos actuar de forma integrada, no podemos coordinar.
    Yasar Guler: Entonces, nuestro primer ministro puede convocar al ministro de Defensa y al señor ministro al mismo tiempo. Después, puede hablarles directamente.
    Ahmet Davutoglu: Nosotros, el señor Siniroglu y yo, hemos literalmente suplicado al señor primer ministro para obtener una reunión privada. Hemos dicho que las cosas no estaban marchando tan bien.
    Yasar Guler: Además, él no tiene por qué estar sobrecargado de reuniones. Usted mismo, el señor ministro de Defensa, el señor ministro del Interior y nuestro jefe de estado mayor. Con 4 de ustedes es suficiente. No hace falta una multitud. Porque, señor ministro, la necesidad principal es que haya armas de fuego y municiones. Ni siquiera armas, principalmente municiones. Precisamente acabamos de hablar de eso, señor. Digamos que posicionamos un ejército allí, de unos 1 000 hombres. Si los metemos en esa guerra sin darles como mínimo 6 meses de municiones, entonces van a venir a vernos nuevamente al cabo de 2 meses.
    Ahmet Davutoglu: Ya están regresando.
    Yasar Guler: Van a venir a vernos a nosotros, señor.
    Ahmet Davutoglu: Van a venir de… ¿cómo era? De Cobanbey [punto de control cercano a la ciudad turca de Elbeyli].
    Yasar Guler: Así es, señor. Ese asunto no puede quedar como una carga sobre las espaldas del señor Fidan él solo, como en este momento. Es inaceptable. Quiero decir, no podemos entender eso. ¿Por qué?
    ***
    Ahmet Davutoglu: Aquella noche habíamos llegado a una resolución. Y yo pensaba que las cosas estaban tomando un rumbo favorable. El nuestro…
    Feridun Sinirlioglu: Habíamos emitido la resolución del MGK [Consejo de Seguridad Nacional] al día siguiente. Después hablamos con el general…
    Ahmet Davutoglu: Y las otras fuerzas hacían verdaderamente un buen seguimiento de nuestra debilidad. Usted dice que usted va a capturar ese lugar y que los hombres allí constituyen un factor de riesgo. Usted hace que se retiren. Captura la plaza. Refuerza y envía nuevamente sus tropas para allá.
    Yasar Guler: Exactamente, señor. Tiene usted toda la razón.
    Ahmet Davutoglu: ¿De verdad? Así es como yo lo interpreto. Pero después… la evacuación no es una necesidad militar. Eso ya es otra cosa.
    ***
    Feridun Siniroglu: Hay algunos cambios serios en la geopolítica mundial y regional. Eso puede propagarse ahora a otros lugares. Usted mismo lo dijo hoy y otros están de acuerdo… Nos dirigimos hacia un juego diferente ahora. Tendríamos que ser capaces de verlos [los cambios]. Que el EIIL y todo ese circo, todas esas organizaciones son extremadamente abiertas a la manipulación. Tener una región que se componga de organizaciones de la misma naturaleza constituye un riesgo de seguridad vital para nosotros. Y cuando estuvimos por primera vez en Irak del Norte, siempre existía el riesgo de que el PKK hiciera estallar aquello. Si consideramos atentamente los riesgos y apoyamos eso… como el general acaba de decir…
    Yasar Guler: Señor, cuando usted estaba adentro hace un momento, nosotros estuvimos conversando sobre todo esto. Abiertamente. Quiero decir que las fuerzas armadas son una «herramienta» necesaria para usted a cada momento.
    Ahmet Davutoglu: Por supuesto. Siempre le digo al primer ministro, cuando usted no está, en lenguaje universitario, usted no puede mantenerse en esas tierras sin «hard power». Sin «hard power» no puede haber «soft power».
    Yaşar Güler: Señor.
    Feridun Sinirlioglu: La seguridad nacional se ha politizado. No recuerdo nada como esto en la historia política turca. Se ha convertido en una cuestión de política interna. Todos nuestros discursos sobre la defensa de nuestras tierras, sobre la seguridad de nuestra frontera, sobre nuestras tierras reclamadas allá, todo eso se ha convertido en una herramienta cómoda y barata de nuestra política interna.
    Yaşar Güler: Exactamente.
    Feridun Siniroglu: Eso nunca había sucedido anteriormente. Desgraciadamente, pero…
    Yasar Guler: Quiero decir, ¿no habrá al menos uno de los partidos de oposición que le aportaría a usted su apoyo sobre este tipo de asunto de alta seguridad nacional? Señor, ¿es este un sentido justificable de la seguridad nacional?
    Feridun Sinirlioglu: No recuerdo ningún momento así.
    Yasar Guler: ¿En qué campo podemos estar unidos si no es con respecto a una cuestión de seguridad nacional de tanta importancia? En ninguno.
    Ahmet Davutoglu: [...] En 2012, no lo hicimos en 2011. Si al menos hubiésemos tomado medidas serias en aquella época, incluso en el verano de 2012.
    Feridun Sinirlioglu: Ellos estaban en su peor momento en 2012.
    Ahmet Davutoglu: En el plano interno estaban exactamente como Libia. Quién entra o sale del poder no tiene la menor importancia para nosotros. Pero ciertas cosas…
    Yasar Guler: Señor, para evitar cualquier confusión, lo que necesitábamos en 2011 eran armas y municiones. En 2012, en 2013, e incluso ahora seguimos necesitando lo mismo. Estamos exactamente en el mismo punto. Tenemos que encontrar eso a toda costa y resolver el asunto.
    Ahmet Davutoglu: Los fusiles y las municiones no son tan necesarios allí. Lo que no logramos resolver allí fue el factor humano.

    Segunda parte
    video:  https://www.youtube.com/watch?v=lm7eg0-IjlI
    Hakan Fidan: Enviamos alrededor de 2 000 camiones cargados con material.
    Yasar Guler: No pienso que las armas sean tan necesarias allí. Es mi opinión personal. Lo que necesitamos son municiones. Sí señor. El señor Hakan [Fidan], aquí présente, lo sabe. Nosotros ofrecimos darles un general. El señor Hakam lo pidió él mismo, personalmente. Nosotros lo aprobamos. Escogimos el general y el general fue allá.
    Feridun Sinirlioglu: Para ser prácticos, el ministro de Defensa tendría que firmar lo que haga falta por el bien de la nación. Nuestro primer ministro tendría que ordenarlo, claramente.
    Ahmet Davutoglu: De hecho, esta misma noche…
    Yasar Guler: Esta noche, señor. No tenemos problema.
    Feridun Sinirlioglu: Se había dado una orden para una operación esta noche.
    Yasar Guler: Nosotros dimos un mensaje de «blitzkrieg». El propio señor Fidan debe saberlo.
    Ahmet Davutoglu: Hakan, ¿qué complicaciones puede haber si mandamos tanques?
    Hakan Fidan: Bueno… sin coordinación, si consideramos la correlación de fuerzas…
    Yasar Guler: Por eso necesitamos la coordinación del MIT [servicios secretos turcos], señor ministro.
    Hakan Fidan: …no es posible sin el número de gente armada y sus capacidades.
    Yaşar Gulen: Es por eso que ponemos la coordinación del MIT como un prerrequisito. Señor ministro, no tiene usted por qué preocuparse por esta noche. Ni por esta noche, ni por más tarde. Pero tenemos cosas que resolver a largo plazo.
    Ahmet Davutoglu: Estoy considerando eso como una opción pero no podemos convencer a la gente. Mandaremos tanques y haremos fortificaciones. A partir de entonces tenemos que considerar un estado de guerra y al hacerlo estamos entrando en guerra. Estamos haciendo una operación militar.
    Yasar Guler: Es una causa directa de guerra. Quiero decir, lo que vamos a hacer es una causa directa de guerra.
    Hakan Fidan: No con Siria.
    Feridun Sinirlioglu: No es un acto de guerra contra Siria.
    Yasar Guler: No, esa gente…
    Hakan Fidan: Lo que quiero decir es que sabemos que 2 y 2 son 4. Ahora bien, sabemos que lo que sucede allí no tiene verdadero valor estratégico para nosotros, más allá de la imagen política y todo eso. Ahora, si vamos a entrar en guerra, déjennos planearlo de antemano. Ahora, yo…
    Yasar Guler: Eso es lo que venimos diciendo desde el principio.
    Hakan Fidan: Lo que no puedo aceptar es lo siguiente: estamos aceptando el riesgo de recurrir a las armas para salvar la tumba de Suleiman Shah. Son como 4 hectáreas de nuestro territorio nacional y estamos aceptando el riesgo de una guerra por eso, por la «cosa» de nuestros 22 o 28 soldados allí. ¡Por Dios! ¿Cuántos kilómetros de tierra de este país tienen frontera con Siria? Y no nos arriesgamos a una guerra por miles de kilómetros de territorio ¿y las vidas de millones de personas? ¡Esto no es lógico! Si vamos a recurrir a las armas, hagámoslo desde el principio. Si estos tipos representan una amenaza…
    Feridun Sinirlioglu: Ahora hay una excusa para eso…
    Hakan Fidan: Esto es diferente, teniendo una excusa y justificación.
    Yasar Guler: Bueno, nuestro ministro de Relaciones Exteriores nunca encuentra una excusa para eso… pero pueden encontrarla para esto.
    Hakan Fidan: Déjenme decirles algo…
    Ahmet Davutoglu: Entre nosotros, el primer ministro me dijo por teléfono que, en esta coyuntura, consideramos esto [el falso ataque contra la tumba] como una opción para nosotros.
    Hakan Fidan: Comandante, si realmente necesitamos una razón, yo mando 4 tipos del otro lado a que tiren 8 cohetes donde no haya nadie… ¡Eso no es un problema! Si necesitamos una razón, podemos fabricarla. Lo importante es mostrar nuestro mutuo deseo de hacerlo. Estamos formulando aquí la voluntad de entrar en guerra, pero estamos cometiendo el mismo error que siempre cometemos. Y ese error es no ser capaces de pensar como es debido.
    Feridun Sinirlioglu: Déjenme decirles algo. Son unas 4 hectáreas de tierra. Cuatro hectáreas representan una justificación muy válida en materia de derecho internacional. Además, en términos de justificación, si hacemos esta operación contra el EIIL todo el mundo estará de nuestra parte. No se preocupen por eso.
    Yasar Guler: Eso no nos preocupa.
    Feridun Sinirlioglu: Lo digo para todo el mundo. Así que…
    Yasar Guler: Señor ministro, nuestras fuerzas están listas desde hace un año, están esperando. No es algo que comenzamos ayer. Hace un año que están esperando.
    Hakan Fidan: No entiendo por qué estamos esperando por todo ese asunto de Suleiman Shah.
    Ahmet Davutoglu: Hemos hecho todo lo posible en el plano diplomático.
    Feridun Sinirlioglu: Necesitamos justificación, justificación.
    Hakan Fidan: Ya dije que yo puedo fabricar la justificación si hace falta. No hay problema con la justificación.
    Feridun Sinirlioglu: Fabricándola es otro asunto. Ya tenemos una bastante fuerte.
    Hakan Fidan: Si hace falta podemos montar un ataque allí [contra la tumba], los mandamos a que ataquen. Eso haremos. Lo que estoy tratando de entender es…
    Feridun Sinirlioglu: Todo eso se puede hacer. Podemos hacer lo que haga falta…
    Hakan Fidan: Quiero decir que si estamos dispuestos a hacer todo esto, tenemos que hacerlo en un momento y un lugar determinados.
    Ahmet Davutoglu: Hakan, como ya dijo usted mismo, si a usted le parece que hay falta de estrategia en la fabricación de una justificación, así es. Contra esos tipos…
    Un oficial: Señor, antes de eso...
    Ahmet Davutoglu: (OK, allá vamos, allí estaré en un momento.) Lo que quiero decir es que no podemos decirle al secretario de Estado americano que tome grandes precauciones
    Hakan Fidan: Lo que quiero decir es…
    Ahmet Davutoglu: Ellos podrían decir: «Bueno, ustedes ni siquiera están defendiendo su propia tierra». Muchas veces he tenido conversaciones amistosas con Kerry y él me interrogó precisamente sobre lo que habíamos acordado sobre una decisión final respecto a ese ataque.
    Yasar Guler: Señor, lo hemos hecho cientos de veces, con Estados Unidos.
    Feridun Sinirlioglu: Escuchen, hace 3 días ocurrió algo en la oficina del jefe del estado mayor. Ellos tuvieron una reunión de coordinación de crisis. Yo lo veía por primera vez. Los americanos…
    Yasar Guler: No, ¡hemos hecho esto todo el tiempo!
    Feridun Sinirlioglu: No, no. En esa reunión los americanos distribuyeron planos de la «No Fly Zone». ¿Ustedes saben algo de eso?
    Hakan Fidan: Lo que quiero subrayar es que si estamos preparados para tomar una decisión tan seria por una razón como la tumba de Suleiman Shah… si estamos dispuestos a tomar tal decisión…
    Feridun Sinirlioglu: No, no sólo por la tumba…
    Hakan Fidan: Lo que digo es lo siguiente: si estamos preparados a tomar tal decisión, ya deberíamos haberlo hecho. Porque nuestros intereses están amenazados. Eso es lo que estoy tratando de decir (…)
    Ahmet Davutoglu: Sí. Si hubiésemos tomado esta decisión antes a más pequeña escala, no estaríamos hoy ante esta disyuntiva.
    Yasar Guler: ¡Pero ya habíamos tomado esta decisión!
    Hakan Fidan: No se ejecutó.
    Yasar Guler: No podemos ejecutar el plan. Estamos paralizados por varias razones. Los instrumentos del Estado no funcionan.
    Ahmet Davutoglu: Yo no puedo aceptar eso debido a la herencia del Estado que me enseñaron. ¿Aceptarían ustedes algo así? ¿Qué pasaría si, por razones políticas, las cosas no funcionaran como es debido en el ministerio de Relaciones Exteriores? ¡Eso no tendría justificación! Cada cual tiene que asumir sus responsabilidades con determinación. Si el consulado me dice: «Señor ministro, me quieren echar. Están echando a todo el mundo. ¿Qué puedo hacer?» Pues, yo le digo: «Jubílese y pondremos a otro en su lugar.» Así es como yo veo las cosas. Así es como funciona la democracia.
    Yasar Guler: Señor ministro, tiene usted toda la razón.
    Ahmet Davutoglu: Por lo que yo entiendo, este Estado funciona gracias a unas pocas personas e instituciones que aún son capaces de tomar las decisiones necesarias.
    Yasar Guler: Así es, señor.
    Ahmet Davutoglu: ¿Vamos a echarnos atrás en este asunto?
    Yasar Guler: No, señor ministro. No lo haremos.
    Ahmet Davutoglu: Bien, pasemos a otra cosa.

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