sexta-feira, 12 de setembro de 2014

ISRAEL e o ESTADO ISLÂMICO (ISIS) FORMAM PARTE DO MESMO PROJETO






Sheikh Ziad Daher é representante político do Hezbollah em Sidon, um enclave sunita ao sul de Beirute, onde também está localizado o Ain El Hilweh, o principal campo de refugiados palestinos no Líbano. De seu escritório, localizado em um centro religioso na periferia da cidade (e protegido por forte esquema de segurança devido aos recentes ataques sectários na área), discute o papel da formação liderada por Sayyed Hassan Nasrallah nos conflitos Gaza e na Síria




Hezbollah está no epicentro de uma região em constante conflito e desempenha um papel fundamental, tanto como um baluarte de apoio à resistência palestina como na defender do governo sírio na guerra que está sangrando o país por três anos.

A ofensiva israelense em Gaza permitiu comprovar até que ponto  o Hezbollah liderado por Sayyed Hassan Nasrallah, é uma inspiração para o Hamas, a Jihad Islâmica e até mesmo para as Brigadas Abu Ali Mustafa , braço armado da FPLP. No entanto, a frente para o Hezbollah não está no sul do Líbano, mas ao leste, na Síria, e inclusive no país do Cedro, onde, até o momento, se mantém um equilíbrio instável que evita o confronto entre as várias posições existentes.

O surgimento do Estado Islâmico (ISIS)  é hoje a principal ameaça  que a organização  está disposta a enfrentar.

Aos bombardeios de Israel contra  Gaza se somam a guerra na Síria que parece interminável. Como você analisa a situação atual no Oriente Médio?

O problema é que no mundo de hoje existem dois campos. Por um lado estão os EUA, Israel e alguns países árabes, que funcionam como intermediários. Na outra ponta  encontra-se o campo da resistência.  Aqui se encontram aqueles que lutam pela liberdade. Entre eles estão a Síria, o Irã . O grande objetivo para Washington e seus aliados é acabar com a resistência, arrebatar seu espírito . Somos conscientes de que o Oriente Médio, onde dispomos de  grande riqueza , é o terreno principal área do conflito entre os dois campos. Esta é uma área quente e permanecerá assim   por algumas  décadas. Neste campo, Israel  trabalhou para eliminar o espírito de resistência na consciência do povo, assim como  submetê-la ao Ocidente. Tudo o que vemos hoje na Síria, no Iraque ou na Palestina são exemplos desse confronto. Neste contexto, os objetivos do imperialismo são claras. Primeiro, manter a segurança de Israel. Em segundo lugar, controlar a riqueza da região, especialmente de petróleo e gás. Terceiro, bloquear a resistência. No entanto, o projeto de resistência segue firme e tem conseguido lidar com as   ameaças , utilizando  todos os métodos disponíveis, tanto a nível político como militar. O que está acontecendo na área é parte de um plano para combater o projeto de resistência, debilitando os governos que a apoiam e favorecendo aqueles que são dóceis com os  interesses dos EUA. Infelizmente, o imperialismo tem conseguido confrontos  generalizados na Síria e no Iraque.
A agressão israelense contra  Gaza, revelou que grupos palestinos utilizam uma estratégia similar a do Hezbollah,  em 2006. O Hamas chegou a sugerir que se abrisse  a frente norte , mas isso nunca se concretizou ...

O Hezbollah não entrar em confronto direto não significa que  não esta participando do conflito. Nos últimos anos passamos toda a nossa experiência, conhecimento e treinamento.Temos introduzido  armamentos e equipamentos , logo o que temos assistido agora é graças a esta assistência. Enfim, se olharmos para 2006, podemos dizer que os partidos da Palestina deram as costas ao Líbano, porque não abriram fogo, quando precisamos? É um absurdo. Sabemos quem tem este ponto de vista e discurso e os interesses de certos regimes árabes, como o Egito. Em vez de se engajar em divulgar estas mensagens, deveriam fornecem armas e dinheiro para a resistência palestina. Os palestinos já tem sua decisão. Não precisam de homens ou treinamento, mas de  armas e dinheiro.


Oito anos se passaram desde a sua última guerra contra Israel. Você acha que isso pode ser repetido no futuro um confronto com aquelas características? 
Tenho quase certeza de que um dia irá ocorrer. Eles estão prontos e nós também. Além disso, estamos seguros de que seremos bem sucedidos.


O líder  político do Hamas, Khaled Meshaal, abandonou  Damasco no início da guerra na Síria. Isso fez com que as relações entre vocês esfriassem?
É verdade que temos diferenças com relação a Síria. Mas em termos de resistência,  nunca suspendemos a ajuda ao Hamas.


Na Síria, o Hezbollah esta diretamente envolvidos nos combates e foi fundamental para o exército de Bashar Al Assad recuperar posições ...
Intervimos para manter o Estado, porque é um dos pilares da resistência. A derrota da Síria significaria impor uma derrota importante à cadeia de resistência árabe. Não temos outra opção. Além disso, não é nenhum segredo que a "oposição" conta com muitos apoios externos, tanto dos países do  Golfo, como do exército israelense. Israel e grupos como Al Nusra e Estado Islâmico (ISIS) são partes do mesmo projeto.  Dessa forma fica muito claro  que o problema nunca foi o regime sírio, mas este  projeto. O que se busca é derrotar a cabeça da resistência. Isso também acontece no Iraque. Agora que existe certa aproximação nas relações entre o Iraque e o Irã, os Estados Unidos estão pretendendo debilitar ainda mais e dividir o Iraque. Para isso se utilizam dos confrontos entre distintas nacionalidades no país.


O que deve acorrer  para que o Hezbollah se retire?
Que a Síria volte a ser um país forte e manter seu apoio à resistência. De qualquer forma, quero salientar que muitas vezes falam de "interferência", e não a consideramos um termo apropriado. A "interferência" implicaria que o governo sírio estivesse contra nossa presença na Síria. Coisa que não ocorre, nossa presença no território é desejo do Estado sírio.
A guerra na Síria  se estende por três anos e já causou dezenas de milhares de mortos. O que deveria ocorrer para se chegar a uma solução para o conflito?
Enquanto ainda seguir entrando militantes e armas, o conflito continuará. No entanto, se olharmos para isso em perspectiva, a situação está mais  favorável para o governo sírio.


Como avalia o papel dos países árabes nesses conflitos?
Hoje em dia, os governos árabes ou  estão sujeitos aos EUA ou sofrem problemas internos. Eles perderam influência no mundo, estão mais divididos e renunciaram a direitos como reivindicar a causa palestina. O exemplo mais claro é Gaza. Depois de mais de  2000 mártires, 10.000 feridos e cerca de 50.000 casas destruídas, o Conselho de Segurança reuniu-se três vezes e a Liga Árabe nunca o fez.

As guerras na região  resultaram de  conflito sectário, especialmente no Iraque e na Síria. Como avaliar a situação atual? 

O objetivo dos EUA é provocar mais divisão no mundo árabe utilizando  a religião. O que acaba provocando uma fratura  na sociedade e um debilitamento dos governos. Me referi  que o mundo está dividido em dois campos: o  imperialista e  a resistência a ele. Outros grupos políticos argumentam que um  terceiro  campo poderia ser o dos islâmitas no mundo árabe, como Al Qaeda, o Estado Islâmico (ISIS). No entanto, acreditamos que estes são aliados de Washington,  foram formados por eles. Sua existência em campo está servindo aos interesses dos EUA.


Após a eclosão da Frente Al Nusra,  aliado da Al Qaeda na Síria, agora toda a atenção está voltada para o Estado Islâmico , anteriormente conhecida como ISIS. Como avalia a criação deste grupo? 

Eles são um grupo que bebe do wahabismo da Arábia Saudita. Eles pretendem fazer o  mundo árabe retroceder. Cortar as cabeças, mãos, roubando, vendendo as mulheres para a escravidão, massacres, destruindo sepulturas de  personagens muçulmanos ou enterrar a pessoa viva ... Isso é insustentável. Não há  ser humana que aguente! Isso vai contra o que dizem as leis muçulmanas. Suas ações estão a serviço do projeto do imperialismo. No entanto, acreditamos que este é um fenômeno temporário. Eles serão derrotados.


No último período houveram ataques em áreas tradicionalmente dos xiitas no Líbano e houve confrontos na semana passada em Arsal. Você teme que esses grupos podem se expandir no país e confrontar com o Hezbollah?

Jabat Al Nursa considerada Arsal como uma base de retaguarda. O Estado Islâmico (ISIS), no entanto, vê-la como parte do califado e querem controlá-la totalmente. De qualquer forma, eles não vão se expandir. Nossas forças  militares irá impedi-los. Estamos prontos para o confronto com eles.
 



Esta sendo enfatizado a existência de um plano de contra-espionagem, liderada pelos EUA, para debilitar o mundo árabe e sua  resistência. No entanto, a eclosão da chamada "Primavera Árabe" foi acompanhada por manifestações. Como você avalia essas marchas? 

Tudo o que aconteceu no primeiro momento, especialmente na Tunísia e no Egito, foram  protestos para exigir mais direitos. Não temos duas visões diferentes para analisar estes movimentos, mas apenas uma  única leitura. Também é verdade que o contexto é diferente na Síria, especialmente por duas questões básicas. Em primeiro lugar,  Damasco tratou de implementar  melhorias. Em segundo lugar, o tempo todo se manteve firme  contra Israel. Por isso tem nosso apoio. O campo do imperialismo tenta por ao seu serviço todos os povos. O conceito "terceiro mundo" nasce  com essa essência. Conceito que afirma que somos incultos, que não temos futuro  e que devemos ser colocados a serviço do imperialismo.




Houve mudanças na relação com o Irã desde a eleição de Hasan Rouhani?

Rouhani tem um pensamento muito próximo de Khomeini. Estamos falando sobre a ideologia revolucionária. A relação entre o Hezbollah e o Irã não mudou. O mundo está dividido no apoio  a Síria. Rússia e China apoiam politicamente, mas o Irã é o único a fazê-lo de forma direta, com armamentos. Graças também a essa solidariedade estamos conseguindo resistir.

http://www.pintxogorria.net/index.php/es/nazioartea/192-israel/4566-israel-israel-y-el-estado-islamico-forman-parte-del-mismo-proyecto

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

OS PALESTINOS LUTAM PARA MANTER A VIDA : محمد الاسدي تراث فلسطيني

Palestina: Como sempre, um acordo baseado em farsa

Por Lara Sartorio

Lara Sartorio
Mais uma vez fica evidente que o combinado e o que ainda será discutido nada mais é que a exigência de acordos descumpridos por Israel
09/09/2014
Por Lara Sartorio
da Cisjordânia (Palestina)
Depois de 51 dias de bombardeio e genocídio promovidos por Israel, apoiado e patrocinado pelos Estados Unidos, na Faixa da Gaza, uma proposta de cessar-fogo realizada pelo Egito no dia 26 de agosto foi acordada.
O ataque chamado “Operação Proteção de Bordas” exterminou 2.178 palestinos – dentre eles, cerca de 600 crianças – e 69 israelenses foram mortos – soldados, quase em sua totalidade. A ONU reporta que pelo menos 1.500 crianças ficaram órfãs e 110 mil estão desabrigados.
Os termos do acordo de cessar-fogo incluem a permissão para que Gaza seja reconstruída (50% do território ficou arruinado); garantem a abertura de todas as fronteiras para a entrada de alimentos, medicamentos e material de construção; e amplia o espaço marítimo para a pesca de 6 milhas náuticas desde a costa para 12 milhas náuticas.
Mesmo que o acordo demonstre uma flexibilização do Hamas, já que os termos não denotam avanços significativos, a ideia é que configure uma contenção das mortes palestinas e funcione como trégua preliminar às negociações do mês seguinte, quando serão debatidos termos que incluem a abertura de um aeroporto e de um porto em Gaza.
Mar de Gaza
Para entender o acordo é preciso retomar a histórica do território palestino. Depois da invasão dos judeus sionistas em 1948, quando foi fundado o Estado de Israel, a Palestina foi dividida em territórios desconectados, Cisjordânia e Gaza.
A Faixa de Gaza foi capturada e ocupada por Israel na guerra de 1967. Desde então, é mantido controle completo dos espaços aéreo e marítimo do território, bem como das fronteiras.
Os palestinos precisam da permissão de Israel para usar o mar de Gaza, o que impõe restrições e limita consideravelmente sua maior fonte de renda, a pesca. Barcos de pescadores foram bombardeados com frequência por “ultrapassar a distância permitida”. À época, foi acordada, entre Israel e Palestina, uma permissão de 20 milhas náuticas para o exercício da pesca. Em 2006, porém, a distância passou a ser de 3 milhas náuticas, como forma de retaliação à vitória eleitoral do Hamas. Em 2012, o acordo de cessar-fogo, que deu fim ao genocídio em Gaza naquele ano, incluiu a extensão para 12 milhas náuticas, mas Israel descumpriu o combinado e permitiu apenas 6 milhas náuticas.
Aeroporto e porto
Apesar de o Acordo de Oslo, de 1993, ter mantido o controle de Israel sobre o espaço aéreo de Gaza, foi permitido que construíssem um aeroporto. A obra foi concluída em 1998. No ano de 2000, Israel fechou o aeroporto e, em 2001, bombardeou-o.
O mesmo aconteceu com a decisão do acordo que permitiu Gaza construir um porto. Foi iniciada a construção em 2000, mas meses depois foi destruído.
Assim, fica evidente que o combinado e o que ainda será discutido nada mais é que a exigência de acordos descumpridos por Israel.
Uma semana depois, a história se repete e, tal como em 2012, Israel desrespeita o acordo e mata um pescador no mar de Gaza. Simultaneamente, projetos maiores de retaliação ao povo palestino foram declarados pelo primeiro-ministro de Israel, Netanyahu.
(mais) 400 ha roubados
No dia 30 de agosto, o político anunciou a maior apropriação de terras na Cisjordânia dos últimos 30 anos. Cinco vilas serão afetadas em um roubo de 400 hectares. A história dessas vilas já é de ininterruptas destruições e despejos por parte de Israel, marcadamente no evento conhecido como Nakba em 1948 (demolições e massacres na fundação do Estado de Israel) e na guerra de 1967.
Desde a década de 1980, o Estado israelense não para de expandir os assentamentos nos entornos de vilas e cidades palestinas. Considerados ilegais pela lei internacional, os assentamentos são a concretização do plano sionista de expulsão dos palestinos. Neles, é aplicado um sistema de apartheid em que serviços de infraestrutura são construídos através da demolição de moradias palestinas para servirem exclusivamente aos colonos – demarcados com a construção de muros, torres de vigilância e um sistema de segurança específico para as colônias, com tanques de guerra e forte armamento.
No plano anunciado por Israel, pelo menos 20 casas completas de um dos vilarejos, Surif, já receberam aviso de despejo. Dentre as informações contidas nesses documentos, consta o prazo de 45 dias para apresentar reclamações à corte do Estado de Israel. A maior parte dos agricultores das vilas já têm processos pendentes relativos à apropriação ilegal de suas terras.
Hassan Manasra, 88 anos, trabalha e habita uma parcela de terra dentro do que foi declarado, na semana passada, como “terra de Israel”. Manasra foi um dos despejados em 1948 e havia se mudado para uma caverna ao longo de um morro na região de Wadi Fukin. Ao lado da caverna, Manasra construiu um barraco de 2m², sem energia elétrica e sem água corrente. Essa é uma das “ostentadoras” casas que receberam a visita de soldados israelenses com aviso de despejo.
Na Cisjordânia
Simultaneamente, a Cisjordânia sofre incursões em que tanques chegaram a adentrar grandes cidades, tal como Belém, e palestinos são presos indiscriminadamente. O exército israelense já prendeu pelo menos 178 pessoas na Cisjordânia – incluindo uma criança de 12 anos em Hebron no dia 8 de setembro- e a polícia da Autoridade Palestina (AP) prendeu 75 pessoas.
Essa informação pode parecer confusa à primeira vista. É preciso, portanto, mirar mais profundamente a correlação de forças políticas na Palestina. A AP, produto dos acordos de Oslo, é presidida por Abbas, do partido Fatah. Não só o próprio acordo é considerado uma grande traição aos palestinos, por ter legitimado atrocidades – tais como o controle da água e a divisão do território em áreas ABC, o que significou a entrega de mais de 70% da Cisjordânia ao controle completo de Israel e mais de 20% a seu controle parcial –, como a presidência do Fatah representa um continuísmo dessa política de acordos com Israel, que a história provou ser falha.
Ressalta-se que a própria polícia da AP é treinada e tem seus salários pagos diretamente pelos EUA. De modo que fica clara a relação entre Israel e a elite palestina.
A quem serve o cessar-fogo?
É inegável que a visibilidade do genocídio em Gaza foi elemento diferenciador dos outros tantos massacres em 66 anos de ocupação militar. Era necessário, portanto, voltar a invisibilizar esse povo sem rosto, transformado em números.
A solução foi forjar um fim do conflito baseado em farsa. A brutalidade em Gaza gerou um fluxo de informação contínuo em que imagens de crianças mutiladas se perdiam entre imagens publicitárias dos jornais. Números de mortes crescentes e um bombardeio de notícias fez com que o público não mais se chocasse e percebesse a própria imobilidade. O cessar-fogo foi também um cessar dos assuntos da limpeza étnica e do neocolonialismo contínuo nos territórios da Palestina.
Guerra energética
Os bombardeios em Gaza e o avanço de grupos fundamentalistas no Oriente Médio, tais como o Isis (o autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e da Síria), são ações que confirmam que o que está em curso é uma grande guerra energética.
O Isis é um grupo fundado e financiado pelos EUA e Israel que vem promovendo ataques na Síria contra o governo Assad, desde 2011. Em julho deste ano, o grupo avançou sobre o Iraque exterminando milhares e mantendo mulheres em cativeiro para exploração sexual. O grupo também tentou avançar sobre a fronteira do Líbano em agosto, sendo rapidamente contido.
É sabido que em dezembro de 2010 foi descoberto o “mais proeminente terreno de gás natural já encontrado na Bacia do leste Mediterrâneo”, na área da Bacia do Leviatã, capaz de impulsionar Israel como um grande exportador. O problema é que a maior parte das bases está situada nas regiões de Gaza e do Líbano. A Síria já realizou contratos milionários de exploração da bacia com a Rússia, o que motivou os Estados Unidos a intervirem no país através do financiamento de grupos como o Isis.
Certamente isso explica em parte a estratégia dos imperialistas em sua guerra declarada contra parte do mundo árabe. O interesse de dominação é o interesse de controle financeiro do ouro moderno: o petróleo e o gás.
Além disso, a proteção do Curdistão (região autônoma do Iraque) pelos EUA – único limite imposto pelos estadunidenses ao Isis – faz todo sentido quando se observa que a região é estratégica para Israel na exploração e no escoamento dos hidrocarbonetos da bacia.
Na mesma semana em que foi acordado o cessar-fogo em Gaza, notícias revelam que Israel se prepara para atacar o Líbano, único país cujo grupo paramilitar, o Hezbollah, teria condições de conter o avanço do Isis.
Se o ataque se confirmar, o objetivo de desestabilização do grupo pelo maior armamento do Oriente Médio, o de Israel, poderá significar a dominação do Isis no país. As políticas articuladas no Oriente Médio demonstram uma guerra energética terceirizada do imperialismo, que se utiliza de grupos árabes para dividir e dominar sem sujar as mãos de sangue.
A base perversa de um mundo que vive na realidade sua própria ficção brutal está no sistema político e econômico que estrutura o mundo globalizado: o capitalismo. Não deveria surpreender ações que realizam verdadeiras limpezas étnicas para concretizar interesses financeiros se ainda não nos revoltamos com um sistema que tem por fundamento a exploração do homem pelo homem e o roubo da força de trabalho.

A ALIANÇA ENTRE ISRAEL E O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO ATRASADO E FASCISTA DO BRASIL ESTÁ MAIS FIRME QUE NUNCA!

 O que a imprensa não disse sobre o Templo de Salomão
Tudo o que você queria saber sobre a inauguração do Templo do Rei Salomão, mas não tinha ninguém que lhe contasse
A Igreja Universal do Reino de Deus sempre gostou dos mármores, dos dourados, da grandiosidade do espetáculo. Quando plantou sua imensa catedral no depauperado bairro de Santo Amaro, distrito destroçado pela recessão e desindustrialização dos anos 1990, assentou um modelo monumental, rico, suntuoso e ostentatório de arquitetura e decoração religiosas. Vieram outros tantos colossos, sempre no mesmo padrão. Não poderia ser diferente com o maior de todos os templos dessa denominação neopentecostal, inaugurado na última quinta-feira.

O mítico Templo do Rei Salomão, a obra maior do bispo Edir Macedo, custo alegado de R$ 680 milhões, contudo, excede em muito o que já se viu. E marca, como se verá, um novo momento da igreja, repleto de importantes referências judaizantes e de homenagens ao Estado de Israel, entendido como o berço bíblico da tradição abrâmica. Denominações evangélicas americanas há décadas fazem o mesmo, no que já foi apelidado de “novo sionismo cristão”.

Este blog conversou com seis pessoas que estiveram presentes na festa de inauguração à qual a imprensa em geral não pode comparecer (só os veículos ligados à Universal, como a Rede Record de TV, o jornal Folha Universal e a Record News). A seguir, seus relatos sobre o que aconteceu lá:
-----------------“O mais legal foi ver que Jesus acabou expulso do Templo do Rei Salomão. É muito engraçada a ironia. Justo quando inaugurava uma réplica do Templo de Jerusalém, construído por Herodes, do qual Jesus teria expulsado os vendilhões da fé, o bispo Edir Macedo resolveu expulsar Jesus.”
Milhares de pessoas estão na porta do Templo de Salomão, sede da Igreja Universal, para a inauguração nesta quinta-feira (31).


----------------- “Em todas as igrejas do Edir Macedo, lê-se o lema da Universal, sempre o mesmo: ‘Jesus Cristo é o Senhor’, ‘Jesus Christ is the Lord’ ou ‘Jesucristo es el Señor’. A frase encontra-se em destaque nos altares das igrejas do bispo Macedo, seja em que país for. Mas não no maior templo. No Templo de Salomão reconstruído, a frase foi substituída pela novidade: ‘Santidade ao Senhor’. Em lugar das letras góticas de sempre, agora foram usadas letras do alfabeto hebraico.”

Mas tem mais, muito mais. Leia o relato completo:

----------------- “A chegada foi terrível. A avenida Celso Garcia estava congestionada. Policiais e marronzinhos da CET tentavam organizar o trânsito. E então, ao nos aproximarmos do templo, vimos uma multidão perfilada, todos de camisetas brancas, de mãos dadas, formando uma corrente humana em torno do quarteirão. Nos mastros, hastearam-se as bandeiras da Igreja Universal, a bandeira brasileira e o pavilhão nacional de Israel.”

----------------- “Já se via ali que o espaço era especial, precioso, protegido. Eu estava chegando no meu carro e perguntei para um desses rapazes da corrente humana onde devia estacionar. Hã? A gente estava a poucos metros da entrada do estacionamento e ele não sabia. Havia uma estrita e rigorosa divisão de tarefas entre os seguidores de Edir Macedo. Aqueles ali eram apenas para ‘abraçar’ o templo e garantir a segurança do espetáculo e dos felizes privilegiados que o assistiriam ao vivo. Não falavam; não interagiam.”

----------------- “O Brás, onde fica o templo, é um bairro histórico de São Paulo. No começo do século 20, foi ocupado por levas de imigrantes pobres italianos, armênios e gregos. Então, veio a imigração nordestina, depois da qual sobrevieram os coreanos e os muitos bolivianos. É um lugar de trabalhadores muito pobres --tudo tem um ar de precariedade, de emendas, consertos. Nas centenas de lojas de roupas baratas e de bugigangas, abastecem-se camelôs e vendedores ambulantes.”

----------------- “E não vamos esquecer da igreja católica, construída em 1908, que fica bem em frente do templo, a Paróquia São João Batista do Brás. Minha nossa, aquela igreja que por muitas décadas foi considerada uma das mais importantes e majestosas da cidade, ficou parecendo cenário de Playmobil.”

----------------- “Mas, quando se chega àquele quarteirão da Universal, é como se você saísse da cidade... Primeiro, tem o sistema de segurança inteiro em volta, aquele monte de guardas, a polícia. Então, você entra no lugar protegido, onde nada está por acaso, por improviso. Não tem gambiarra. Tudo é meticulosamente limpo, planejado e organizado.”

----------------- “Você sai do caos e entra no espaço da ordem.”

----------------- “Eu fui à abertura do Shopping Paulista e do Shopping Pátio Higienópolis. Lembro-me do susto que tomei quando entrei no estacionamento do shopping Paulista. Foi um dos primeiros shoppings a ter estacionamento sem janelas. Era uma coisa horrorosa. Depois entendi que esses lugares que pretendem sequestrar você do mundo real, apartar você da realidade, obrigatoriamente suprimem as janelas. Pode ver. Os shoppings são assim. Os bingos eram assim. Os cassinos são assim. E o Templo do Rei Salomão é assim. Não tem uma janela.”

----------------- “Não tem mesmo! No estacionamento não tem janelas. Quando entrei, fui conduzida a um coquetel no 10º andar, da ala vip. Não tinha janelas. Idem para o salão principal, no térreo, imenso, capacidade para 10.000 pessoas sentadas. Também não tem nenhuma janela.”

----------------- “Para mim, pareceu um daqueles brinquedos dos parques temáticos de diversões, de Orlando, Flórida. O Templo do Rei Salomão, do Universal Studios... Bem podia ser. Ahahaha!”

----------------- “Todos os meus amigos me perguntaram como eu consegui entrar. Primeiro, chegou ao escritório um pergaminho com o convite e um envelope contendo uma senha. Daí, era necessário entrar no site para cadastrar o nome e o RG do seu convidado. Depois disso, as pessoas do cerimonial ligavam para confirmar tudo e só então você recebia um cartão com um código de barras. Era o convite individual, pessoal e intransferível, que só seria aceito na portaria do evento mediante a apresentação de documento com foto.”
Brochinho azul /Arquivo pessoalBrochinho azul /Arquivo pessoal----------------- “A comissão de recepção funcionava no estacionamento. Checados número do cartão, documento, tudo ok, ganhei um pin (brochinho). O meu era da cor azul, mas tinha também os vermelhos, e de outras cores. Fotógrafos a serviço do evento convidavam os vips para fazer fotos em um estúdio portátil, como aqueles da revista ‘Caras’. Detectores de metais impediam o convidados de entrar com celular, câmeras ou outros aparelhos eletrônicos.”
----------------- “Comecei a achar que havia algo estranho quando apareceram pessoas andando com túnicas de seda branca até os pés, cintos dourados, sapato social branco, desses de enfermeiro... Sei lá, para mim pareceu aquela coisa de novela espírita, tipo ‘A Viagem’. Mas depois me explicaram: esses eram os guardiões do templo... Estavam lá vestidos como se imagina que se vestiriam os levitas, membros de uma das doze tribos judaicas, na época bíblica.”


----------------- “Lá dentro, um exército de hostesses, mulheres vestidas com longos em veludo azul, conduzia os convidados, segundo a cor de seus broches, para o andar a eles designado.”

----------------- “O 10º andar, para onde fui levado, tinha as paredes forradas por amplos painéis com fotos de Jerusalém. O Monte das Oliveiras, o Muro das Lamentações e o casario de pedras dentro das muralhas de Jerusalém deram o ar da graça. Jornalistas, executivos, atores e apresentadores do staff da TV Record brilhavam: Luciano Szafir (com a mãe, Beth Szafir), Paulo Henrique Amorim, Celso de Freitas, Heródoto Barbeiro, Marcelo Rezende, Chris Flores, Lucinha Lins, Bemvindo Sequeira e o comediante Castrinho. Mas também estavam lá vários dirigentes de agências de publicidade. O esforçado serviço de bufê incluía itens de comida kasher, servidos em uma ala dedicada aos convidados judeus, num dos extremos do salão. Não havia bebida alcoólica.”

----------------- “No meio dos convidados, em uma mesa, dois homens ainda mais ricamente fantasiados agendavam visitas a um museu anexo sobre a história religiosa judaica, até chegar à missão do bispo Edir Macedo. Esses tinham, além da túnica branca até os pés e do cinturão dourado, uma espécie de elmo dourado, imitando ouro, com inscrições em hebraico em que se lia “Servo de Deus”. Ah, eles vestiam um peitoral enfeitado com 12 pedras coloridas.”

----------------- “Por volta das 18h, o pessoal começou a se mexer para descer rumo ao térreo, onde fica o grande salão do templo. Nas duas paredes laterais, foram colocados 12 candelabros de sete braços, as chamadas menorás, um dos símbolos mais conhecidos do judaísmo, representando cada uma das 12 tribos de Israel.”

----------------- “Os recepcionistas dentro do templo vestiam aquela fantasia dos levitas. Havia também Edir Macedo ao lado de Dilma (Divulgação)Edir Macedo ao lado de Dilma (Divulgação)mulheres entre eles. Eram centenas. Todos –homens e mulheres— invariavelmente com mais de 1,70 metro de altura. As mulheres, cabelos compridos, prendiam-nos em um rabo-de-cavalo por uma fivela dourada. Eram esses personagens que levavam os convidados até o local onde deveriam se sentar. Nas fileiras da frente, autoridades portadoras dos broches vermelhos. Logo atrás, os convidados vips, portadores dos broches azuis, e por aí vai.”

----------------- “Um conjunto de câmara tocava canções religiosas judaicas, músicas de trilhas sonoras de filmes evocativos da saga judaica, como o hollywoodiano ‘Êxodus’, além de peças populares, como ‘Halelluya la'olam’ (‘Aleluia para o Mundo”) e ‘Yerushalayim Shel Zahav’ (‘Jerusalém de Ouro’, em hebraico), uma espécie de segundo hino nacional de Israel.”

----------------- “Então, foi chegando, aos poucos, o poder da República: o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), o atual, Fernando Haddad (PT), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, o ministro do STF Marco Aurélio Mello, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o vereador por São Paulo Andrea Matarazzo (PSDB), o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB). Por fim aterrissou, na cadeira mais central e mais perto do palco, ela, a própria presidente Dilma Rousseff (PT). Foi ao lado de Dilma que o bispo Edir Macedo escolheu sentar-se.”

----------------- “Um bispo da igreja apareceu para fazer as vezes de mestre de cerimônias. Parecia um rabino. Barbudo, cobria a cabeça com uma quipá (solidéu judaico) e vestia o talit, acessório religioso judaico na forma de um xale, usado como uma cobertura na hora das preces. Para surpresa geral, logo depois de anunciar os presentes, esse bispo-rabino pediu silêncio para a execução dos hinos... De Israel e do Brasil.”

-----------------“Duas fileiras de cadeiras, ocupadas por uma delegação de 20 membros da comunidade judaica, cantaram o hino de Israel acompanhando o conjunto de câmara e depois se congratularam, rindo, satisfeitos, pela homenagem.”

----------------- “Na avenida Celso Garcia, seis homens com a fantasia de levitas, apareceram carregando uma réplica do que seria a Arca da Aliança (onde teriam sido guardadas as Tábulas da Lei que Moisés recebeu de Deus, um pote com o maná que Deus mandou para alimentar os judeus durante a travessia do deserto e o cajado de Arão, que tinha florescido). Eles, então, começaram a marchar rumo ao templo e nele entraram, pisando em um tapete vermelho, até desaparecerem, debaixo do palco. Todo o percurso foi transmitido em dois telões de ultra-alta definição.”

----------------- “Os fiéis da Universal choravam, emocionados. Nesta hora, a cortina de tule que recobria o altar se abriu, revelando uma outra réplica da Arca da Aliança, desta vez em tamanho monumental e o letreiro: ‘Santidade ao Senhor’ (no lugar onde sempre esteva o “Jesus Cristo é o Senhor”).

-----------------“Um bispo que se disse ex-viciado em crack, maconha, cocaína, ecstasy, prostituição, álcool ‘e tudo o que há de ruim nesta vida’ foi chamado ao altar para testemunhar como a Universal ajudou-o a superar a dependência. Disse que a ciência, os médicos, os psiquiatras, a psicologia, ‘não curam o vício’, que na verdade não passa de uma manifestação do demônio. Disse mais: que a cura só vem com a fé. Em seguida, pediu aos pastores que já foram ‘viciados’ que se levantassem de suas cadeiras. Centenas de homens, todos de terno e gravata, levantaram-se e ficaram imóveis, como testemunho do milagre.”

Envelope para pedidos de oração Envelope para pedidos de oração-----------------“Em seguida veio um breve documentário com a luta do povo judeu pela Terra Prometida, que chegou até os dias atuais, com a trajetória do bispo Edir Macedo.

-----------------“Foi a senha para que ele mesmo subisse ao altar. Sobre o terno que usava enquanto esteve sentado ao lado da presidente Dilma, Macedo, agora barbudo como um judeu ultra-ortodoxo, também vestiu o talit. Na cabeça, colocou a quipá... Antes de subir ao altar, ele ajoelhou-se e beijou o solo, como fazem os cohanim, descendentes da casta sacerdotal mais pura na tradição judaica.

-----------------“Então, não poderia faltar... Macedo convidou todos a pegar os envelopes colocados no encosto das cadeiras. ‘Estarão abertos os Meus olhos e atentos os Meus ouvidos a toda oração que se fizer neste lugar.’, disse. E conclamou: ‘Escreva o seu pedido de oração para colocar nas pedras do altar! Quem quiser, não é obrigatório, pode fazer uma doação’.

-----------------“Não se sabe de onde eles apareceram. Mas, enquanto os fiéis iam disciplinadamente depositar o pedido nas pedras do altar, dezenas de homens munidos de máquinas de cartões de débito e crédito circulavam no meio, recolhendo as doações.

-----------------“Dilma, Alckmin e os demais dignitários da República, ali presentes, assistiram a tudo sentadinhos. Ao fim de sua peroração, fiéis em êxtase, Edir Macedo disse que acompanharia ‘a presidenta’ até uma sala, onde fariam uma ‘conferência’."

O templo estava inaugurado.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

ISRAEL e o ESTADO ISLÂMICO (ISIS) FORMAM PARTE DO MESMO PROJETO






Sheikh Ziad Daher é representante político do Hezbollah em Sidon, um enclave sunita ao sul de Beirute, onde também está localizado o Ain El Hilweh, o principal campo de refugiados palestinos no Líbano. De seu escritório, localizado em um centro religioso na periferia da cidade (e protegido por forte esquema de segurança devido aos recentes ataques sectários na área), discute o papel da formação liderada por Sayyed Hassan Nasrallah nos conflitos Gaza e na Síria




Hezbollah está no epicentro de uma região em constante conflito e desempenha um papel fundamental, tanto como um baluarte de apoio à resistência palestina como na defender do governo sírio na guerra que está sangrando o país por três anos.

A ofensiva israelense em Gaza permitiu comprovar até que ponto  o Hezbollah liderado por Sayyed Hassan Nasrallah, é uma inspiração para o Hamas, a Jihad Islâmica e até mesmo para as Brigadas Abu Ali Mustafa , braço armado da FPLP. No entanto, a frente para o Hezbollah não está no sul do Líbano, mas ao leste, na Síria, e inclusive no país do Cedro, onde, até o momento, se mantém um equilíbrio instável que evita o confronto entre as várias posições existentes.

O surgimento do Estado Islâmico (ISIS)  é hoje a principal ameaça  que a organização  está disposta a enfrentar.


Aos bombardeios de Israel contra  Gaza se somam a guerra na Síria que parece interminável. Como você analisa a situação atual no Oriente Médio?

O problema é que no mundo de hoje existem dois campos. Por um lado estão os EUA, Israel e alguns países árabes, que funcionam como intermediários. Na outra ponta  encontra-se o campo da resistência.  Aqui se encontram aqueles que lutam pela liberdade. Entre eles estão a Síria, o Irã . O grande objetivo para Washington e seus aliados é acabar com a resistência, arrebatar seu espírito . Somos conscientes de que o Oriente Médio, onde dispomos de  grande riqueza , é o terreno principal área do conflito entre os dois campos. Esta é uma área quente e permanecerá assim   por algumas  décadas. Neste campo, Israel  trabalhou para eliminar o espírito de resistência na consciência do povo, assim como  submetê-la ao Ocidente. Tudo o que vemos hoje na Síria, no Iraque ou na Palestina são exemplos desse confronto. Neste contexto, os objetivos do imperialismo são claras. Primeiro, manter a segurança de Israel. Em segundo lugar, controlar a riqueza da região, especialmente de petróleo e gás. Terceiro, bloquear a resistência. No entanto, o projeto de resistência segue firme e tem conseguido lidar com as   ameaças , utilizando  todos os métodos disponíveis, tanto a nível político como militar. O que está acontecendo na área é parte de um plano para combater o projeto de resistência, debilitando os governos que a apoiam e favorecendo aqueles que são dóceis com os  interesses dos EUA. Infelizmente, o imperialismo tem conseguido confrontos  generalizados na Síria e no Iraque.

A agressão israelense contra  Gaza, revelou que grupos palestinos utilizam uma estratégia similar a do Hezbollah,  em 2006. O Hamas chegou a sugerir que se abrisse  a frente norte , mas isso nunca se concretizou ...

O Hezbollah não entrar em confronto direto não significa que  não esta participando do conflito. Nos últimos anos passamos toda a nossa experiência, conhecimento e treinamento.Temos introduzido  armamentos e equipamentos , logo o que temos assistido agora é graças a esta assistência. Enfim, se olharmos para 2006, podemos dizer que os partidos da Palestina deram as costas ao Líbano, porque não abriram fogo, quando precisamos? É um absurdo. Sabemos quem tem este ponto de vista e discurso e os interesses de certos regimes árabes, como o Egito. Em vez de se engajar em divulgar estas mensagens, deveriam fornecem armas e dinheiro para a resistência palestina. Os palestinos já tem sua decisão. Não precisam de homens ou treinamento, mas de  armas e dinheiro.


Oito anos se passaram desde a sua última guerra contra Israel. Você acha que isso pode ser repetido no futuro um confronto com aquelas características? 
Tenho quase certeza de que um dia irá ocorrer. Eles estão prontos e nós também. Além disso, estamos seguros de que seremos bem sucedidos.


O líder  político do Hamas, Khaled Meshaal, abandonou  Damasco no início da guerra na Síria. Isso fez com que as relações entre vocês esfriassem?
É verdade que temos diferenças com relação a Síria. Mas em termos de resistência,  nunca suspendemos a ajuda ao Hamas.


Na Síria, o Hezbollah esta diretamente envolvidos nos combates e foi fundamental para o exército de Bashar Al Assad recuperar posições ...
Intervimos para manter o Estado, porque é um dos pilares da resistência. A derrota da Síria significaria impor uma derrota importante à cadeia de resistência árabe. Não temos outra opção. Além disso, não é nenhum segredo que a "oposição" conta com muitos apoios externos, tanto dos países do  Golfo, como do exército israelense. Israel e grupos como Al Nusra e Estado Islâmico (ISIS) são partes do mesmo projeto.  Dessa forma fica muito claro  que o problema nunca foi o regime sírio, mas este  projeto. O que se busca é derrotar a cabeça da resistência. Isso também acontece no Iraque. Agora que existe certa aproximação nas relações entre o Iraque e o Irã, os Estados Unidos estão pretendendo debilitar ainda mais e dividir o Iraque. Para isso se utilizam dos confrontos entre distintas nacionalidades no país.


O que deve acorrer  para que o Hezbollah se retire?
Que a Síria volte a ser um país forte e manter seu apoio à resistência. De qualquer forma, quero salientar que muitas vezes falam de "interferência", e não a consideramos um termo apropriado. A "interferência" implicaria que o governo sírio estivesse contra nossa presença na Síria. Coisa que não ocorre, nossa presença no território é desejo do Estado sírio.

A guerra na Síria  se estende por três anos e já causou dezenas de milhares de mortos. O que deveria ocorrer para se chegar a uma solução para o conflito?
Enquanto ainda seguir entrando militantes e armas, o conflito continuará. No entanto, se olharmos para isso em perspectiva, a situação está mais  favorável para o governo sírio.


Como avalia o papel dos países árabes nesses conflitos?
Hoje em dia, os governos árabes ou  estão sujeitos aos EUA ou sofrem problemas internos. Eles perderam influência no mundo, estão mais divididos e renunciaram a direitos como reivindicar a causa palestina. O exemplo mais claro é Gaza. Depois de mais de  2000 mártires, 10.000 feridos e cerca de 50.000 casas destruídas, o Conselho de Segurança reuniu-se três vezes e a Liga Árabe nunca o fez.


As guerras na região  resultaram de  conflito sectário, especialmente no Iraque e na Síria. Como avaliar a situação atual? 

O objetivo dos EUA é provocar mais divisão no mundo árabe utilizando  a religião. O que acaba provocando uma fratura  na sociedade e um debilitamento dos governos. Me referi  que o mundo está dividido em dois campos: o  imperialista e  a resistência a ele. Outros grupos políticos argumentam que um  terceiro  campo poderia ser o dos islâmitas no mundo árabe, como Al Qaeda, o Estado Islâmico (ISIS). No entanto, acreditamos que estes são aliados de Washington,  foram formados por eles. Sua existência em campo está servindo aos interesses dos EUA.


Após a eclosão da Frente Al Nusra,  aliado da Al Qaeda na Síria, agora toda a atenção está voltada para o Estado Islâmico , anteriormente conhecida como ISIS. Como avalia a criação deste grupo? 

Eles são um grupo que bebe do wahabismo da Arábia Saudita. Eles pretendem fazer o  mundo árabe retroceder. Cortar as cabeças, mãos, roubando, vendendo as mulheres para a escravidão, massacres, destruindo sepulturas de  personagens muçulmanos ou enterrar a pessoa viva ... Isso é insustentável. Não há  ser humana que aguente! Isso vai contra o que dizem as leis muçulmanas. Suas ações estão a serviço do projeto do imperialismo. No entanto, acreditamos que este é um fenômeno temporário. Eles serão derrotados.


No último período houveram ataques em áreas tradicionalmente dos xiitas no Líbano e houve confrontos na semana passada em Arsal. Você teme que esses grupos podem se expandir no país e confrontar com o Hezbollah?

Jabat Al Nursa considerada Arsal como uma base de retaguarda. O Estado Islâmico (ISIS), no entanto, vê-la como parte do califado e querem controlá-la totalmente. De qualquer forma, eles não vão se expandir. Nossas forças  militares irá impedi-los. Estamos prontos para o confronto com eles.
 



Esta sendo enfatizado a existência de um plano de contra-espionagem, liderada pelos EUA, para debilitar o mundo árabe e sua  resistência. No entanto, a eclosão da chamada "Primavera Árabe" foi acompanhada por manifestações. Como você avalia essas marchas? 

Tudo o que aconteceu no primeiro momento, especialmente na Tunísia e no Egito, foram  protestos para exigir mais direitos. Não temos duas visões diferentes para analisar estes movimentos, mas apenas uma  única leitura. Também é verdade que o contexto é diferente na Síria, especialmente por duas questões básicas. Em primeiro lugar,  Damasco tratou de implementar  melhorias. Em segundo lugar, o tempo todo se manteve firme  contra Israel. Por isso tem nosso apoio. O campo do imperialismo tenta por ao seu serviço todos os povos. O conceito "terceiro mundo" nasce  com essa essência. Conceito que afirma que somos incultos, que não temos futuro  e que devemos ser colocados a serviço do imperialismo.




Houve mudanças na relação com o Irã desde a eleição de Hasan Rouhani?

Rouhani tem um pensamento muito próximo de Khomeini. Estamos falando sobre a ideologia revolucionária. A relação entre o Hezbollah e o Irã não mudou. O mundo está dividido no apoio  a Síria. Rússia e China apoiam politicamente, mas o Irã é o único a fazê-lo de forma direta, com armamentos. Graças também a essa solidariedade estamos conseguindo resistir.

http://www.pintxogorria.net/index.php/es/nazioartea/192-israel/4566-israel-israel-y-el-estado-islamico-forman-parte-del-mismo-proyecto

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

"O ISIS é uma operação encoberta dos EUA"

ISIS É O NOVO 11 DE SETEMBRO

O ISIS é uma operação encoberta dos EUA. É uma operação nova e melhor planejada do que o ataque do 11 de Setembro. É o resultado da estratégia do "caos criativo". 


(Partido Comunista da Turquia (TKP)
Por  Kemal Okuyan


John McCain.


Será o ISIS (ou Estado Islâmico) um projeto dos EUA fora de controle?

Testemunhamos antes como organizações que foram criadas pelas forças armadas, agências de inteligência e fundos dos EUA foram declaradas "inimigas". Algumas destas organizações estavam num Estado, o que as tornava insensíveis aos ditames do imperialismo estado-unidense e algumas delas não podiam aceitar terem sido postas de lado pelos EUA como obsoletas. Houve casos em que elas foram postas na lista do terror bem como casos em que foram realmente identificadas como ameaças...
O ISIS não é nada disso. O ISIS não está fora de controle. 
Podemos tranquilamente dizer que o ISIS, com o seu novo nome de 
Estado Islâmico, tem estado a actuar maravilhosamente 
para os interesses dos EUA. 

Se ambos os lados nas conversações que estão em curso e avançadas entre o Irã e os EUA podem conseguir não classificar-se mutuamente como "inimigos" e  se estão à procura de caminhos para colaborar na ruptura do ISIS, e se a administração Obama é capaz de por na linha o renovado regime mullah em Teerã,  que está a tentar formar uma "estratégia" ...

Se, no tempo em que a distinção entre o "Islã moderado" e o "radical" era confusa, o ISIS, tendo ascendido com uma violência que destruía a relação entre islã político e "fanatismo armado", faz toda gente esquecer a escala de avanços reacionários numa área geográfica muito vasta...

Se o ISIS, o qual diz "estou aqui" não apenas em Estados árabes como também na Turquia e mesmo em Estados europeus, pode ajudar a reconstruir a "percepção pública de uma ameaça comum" a qual é a cola para a aliança ocidental...

Se, pela primeira vez, uma aliança conduzida pelos EUA pode tornar-se tanto legítima, como eficaz e mesmo amistosa como esta, se o ianque pode posicionar-se como um verdadeiro libertador...

Se o ISIS está criando a oportunidade perfeita para fazer com que toda a gente esqueça o fracasso na Síria e os meios para arrebanhar toda  gente para as mudanças políticas exigidas por este fracasso, se ele ajuda a esconder os crimes de guerra cometidos por Obama e outros na Síria...

Se o ISIS pode mudar todos os equilíbrios no Iraque de um dia para outro a fim de [declarar] "o Iraque não pode tornar-se um país estável, não existe um tal país" e preparar o terreno para a divisão do Iraque...

Se a capacidade de vários grupos curdos para "atuarem em conjunto" está aumentando graças ao ISIS e se a autoridade da liderança curda no Norte do Iraque consolida-se apesar da "falta de espinha" exibida nos primeiros dias... (Temos muitas razões para afirmar que as forças de Barzani não se mexeram contra o ISIS de imediato porque isso foi uma preferência dos EUA)...

O que mais o Tio Sam podia esperar de uma força armada por ele criada!

O mundo árabe já não acha bizarra a seguinte situação: Peshmergas treinados pelos EUA e assassinos do ISIS atacar-se-ão um ao outro com armas estado-unidenses e bombas americanas lançadas de aviões aterrarão num dos lados.

O ISIS criou a energia necessária para a revisão do plano da grande transformação que fora iniciada com a "Primavera Árabe" mas então chocou-se contra a parede na Síria. A violência demonstrada é tão pavorosa que ninguém quer declarar abertamente o papel dos EUA na mesma. A humanidade está unida contra a barbárie e a declaração "Socialismo ou barbárie", que não havia perdido o seu poder durante décadas, está agora vaporizada ao confrontar-se com a tragédia de milhares de torturados, decapitados, queimados vivos.

União contra a barbárie! União com os EUA!

Será crível que aceitemos isto?

O fato de que foram os Estados Unidos que dirigiram o ISIS está a ser posto de lado com a etiqueta de "teoria da conspiração" e ainda supõem que toleremos isto?

Estaremos nós ficando temerosos de passar frente à trivialidade de "os EUA estavam a apoiá-los mas agora eles estão fora de controle"?

O ISIS é uma operação encoberta dos EUA. É uma operação nova e melhor planejada do que o ataque do 11 de Setembro. É o resultado da estratégia do "caos criativo".

Precisamos evitar a estreiteza de dizer "Não há probabilidade de êxito, os EUA têm estado a cair, nenhum dos seus planos está a ter êxito". Não esqueçamos: o maior plano das forças imperialistas é a sustentação da ordem existente, não pode haver qualquer plano-projeto que vá para além disto, que possa substituir isto.

A aliança com o imperialismo contra forças reacionárias e a aliança com forças reacionárias contra o imperialismo têm de ser severamente condenadas. Uma das ramificações disto nos assuntos internos é a libertação do secularismo das conexões com o  mercado. Se Erdogan hoje ainda pode lançar ameaças, a razão por trás disto não é a falta de uma frente ampla contra ele. É, sim, por causa das posições anti-Erdogan sem princípios e sem espinha que levam a que ele não seja realmente investigado.

25/Agosto/2014
Ver também:
  • John McCain, le chef d’orchestre du «printemps arabe» et le Calife
  • Les alliés des États-Unis financent et soutiennent le groupe djihadiste de l’EIIL/ISIS!
  • Les terroristes qui nous combattent en ce moment ? Nous venons juste de finir de les entraîner. (The Washington Post)

    O original encontra-se em www.solidnet.org/... 


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • “Balé da Energia 2: Síria, Ucrânia e o Oleogasodutostão”

    Por  Pepe EscobarRT − Rússia Today
    Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

    foto: Andrey Sinitsin
    Assim como Irã, Rússia, EUA e União Europeia estão envolvidos num sofisticado balé nuclear/de-energia, Síria e Ucrânia são também dois vetores chaves nos jogos de energia, com peso suficiente para determinar grande parte do que acontece a seguir no Novo Grande Jogo na Eurásia.

    E essas duas guerras, na Síria e na Ucrânia, também são guerras de energia.

    O plano máster do governo Obama para a Síria era “Assad tem de sair”; a mudança de regime geraria uma entidade da Fraternidade Muçulmana apoiada pelos EUA, e uma perna chave do Oleogasodutostão – o gasoduto Irã-Iraque-Síria, de US$ 10 bilhões – estaria amputada para sempre.


    O próprio emir do Qatar em pessoa tomou a estrada de Damasco em 2009 para negociar um gasoduto Qatar-Síria-Turquia. Mas Bashar al-Assad disse que não; explicou que não tinha interesse algum em pôr em risco os negócios de energia entre Síria e Rússia.

    Mesmo assim, prosseguiram as conversas e, lembrando que em 2001, acontecera um entendimento para um projeto rival Irã-Iraque-Síria. Significa que já aparecia escrito na parede – ou nas tubulações (de aço) que chegariam, mais dia menos dia, ao Mediterrâneo Leste. O gás para consumidores europeus potenciais viria, de fato, do campo Pars Sul, no Irã, contíguo ao campo Cúpula Norte, do Qatar; juntos, os dois campos formam o maior campo de gás de todo o planeta.

    Não só para o Qatar e para a Turquia, mas especialmente para a Voz do Patrão, era negócio inaceitável; a política oficial dos EUA de “isolar o Irã” estaria em cacos. Pior: a possibilidade estaria aberta para que a União Europeia em seguida se convertesse em consumidora privilegiada de ambos, Rússia e Irã, dos quais passaria a receber nada menos que 45% de seu suprimento de gás. A plena integração energia/comércio da Eurásia – nesse caso envolvendo grande parte da União Europeia, Rússia e Irã – é anátema absoluto para o Império do Caos.

    Eis aí o contexto argumentacional que “explica” o desastre intitulado “Assad tem de sair”; uma guerra DE terror, financiada em grande parte por Qatar e Arábia Saudita, com apoio logístico da Turquia, com Ancara, a CIA e a gangue do CCG (Conselho de Cooperação do Golfo) criando uma ponte aérea “secreta” para armar os chamados jihadistas “do bem”, usando para isso aviões cargueiros militares sauditas, qataris e jordanianos, desde 2012.

    foto: Khaled al-Hariri
    O mínimo que se pode dizer, é que a volta do chicote no lombo do chicoteador foi espetacular. “Assad tem de sair” deu em nada. E nada menos que o Estado Islâmico (IS), antes conhecido como ISIL, liderado pelo Califa Ibrahim, ergueu a própria cabeçorra. Até as Forças Especiais dos EUA estão embasbacadas ante o poder de luta deles. (O Blog discorda desta afirmação e considera que o ISIS, ou ISIL ou IS, enfim é um novo instrumento para a estratégia mais geral dos EUA, que engloba a destruição/construção de Estados sobre novas bases de interesses. Além disso, funciona como um novo 11 de setembro. Veja texto  postado em seguida) 

    O Califato, que engloba partes da Síria e do Iraque está ganhando rios de dinheiro vendendo – ironia mãe de todas as ironias – petróleo e gás a preço de liquidação no mercado negro. São pelo menos US$ 38 milhões de dólares/mês: US$ 8 milhões de um campo de gás capturado na Síria e US$ 30 milhões de, no mínimo, seis campos de petróleo capturados no Iraque.

    As Casas de Saud e Thani mostram-se hoje ostensivamente horrorizadas com o Califa e seus degoladores, inclusive os já chamados jihadistas-Beatles. Mas mesmo assim os doadores sauditas e qataris privados, além de outros notáveis do CCG, continuam a fazer chover dinheiro e armas sobre o Califato. O presidente Erdogan na Turquia está hoje também oficialmente horrorizado. Mas a fronteira turco-síria continua escancarada para o ir e vir de todos os jihadistas viajantes.

    No pé em que estão as coisas no Oleogasodutostão, a possibilidade de o projeto do gasoduto Qatar-Síria-Turquia decolar é zero. E as coisas não estão mais bem paradas no que tenha a ver com Irã-Iraque-Síria, considerando que dois desses três países estão em guerra civil sem final à vista.

    Deem-nos Grad, que a gente frack

    No cenário da Ucrânia, o “vilão” é a Rússia, em vez do Irã. E a implicação é muito mais direta sobre interesses dos EUA.

    O que realmente interessa no leste da Ucrânia é limpar uma vasta área para o fracking – mediante uma ofensiva com mísseis Grad, o que levou a êxodo em massa de refugiados.

    Michael Hudson resumiu muito bem:

    Agora, imaginem se aqui nos EUA o presidente Obama e o vice-presidente Biden mandassem tropas para o interior do estado de New York, que se opõe à perfuração para extração de petróleo/gás, e bombardeassem as cidades de Rochester, Buffalo, e se pusessem a bombardear as cidades e a matar todos os que se opõem ao fracking. Pois isso, exatamente, é o que está acontecendo na Ucrânia. E estão fazendo isso com o apoio do Banco Mundial.

    A empresa Royal Dutch Shell é a principal interessada em perfurar/extrair xisto betuminoso no leste da Ucrânia; em janeiro, assinou negócio de US$ 10 bilhões.

    E há também a Exxon, além da conexão Burisma Holdings. O governador nomeado de Dnepropetrovsk, cidadão israelense-ucraniano, o tenebroso bilionário Igor Kolomoisky – que também mantém sua própria milícia privada – está na cama com ninguém menos que o vice-presidente dos EUA Joe Biden. O filho de Joe Biden foi contratado como diretor para negócios de petróleo e gás da Burisma Holdings – exatamente a maior empresa de extração/refino de xisto betuminoso [fracking] na Ucrânia.

    Além disso tudo, o Parlamento em Kiev aprovou lei que permitirá que investidores dos EUA e da União Europeia participem – em termos de joint venture – de até 49% da propriedade da tubulação enterrada no trecho ucraniano e das instalações subterrâneas de armazenamento de gás.

    A conversa dos “especialistas” de Kiev é previsível: a joint venture trará o tão necessário “investimento”. E porá na prateleira para sempre o gasoduto Ramo Sul, de 2.446 km, planejado para levar o ouro azul da Gazprom pelo subsolo do Mar Negro e entrar na União Europeia na Bulgária, absolutamente sem passar pela Ucrânia. Tradução: o já periclitante orçamento de Kiev encolherá ainda mais, com a redução nas taxas cobradas pela “passagem” do gás.

    foto: Gleb Garanich
    A União Europeia importa da Rússia quase 30% do gás de que precisa. Metade disso transita hoje pela Ucrânia. Mas em futuro próximo o gasoduto Ramo Norte, pelo subsolo do Mar Báltico entrará em operação, e o Ramo Sul é praticamente certo, tão logo a confusão na Ucrânia seja resolvida. Contornar a Ucrânia é opção mais firme a cada dia.

    Compare-se isso ao sonho molhado de Kiev, inflado por Washington, de vir a “controlar” todo o fluxo de gás da Gazprom para a União Europeia e, além do mais, de controlar todo o comércio em dólares norte-americanos. Mais uma vez, voltamos à política básica do Império do Caos – impedir maior integração econômica/de-energia entre Rússia e União Europeia.

    Assim sendo, a prioridade de Washington no curto prazo é sabotar o Ramo Sul; não surpreende que o gasoduto esteja suspenso, com a Comissão Europeia obedecendo caninamente a Voz do Patrão. Mas a obediência nesse caso também significa que, por hora, largas porções da União Europeia permanecem reféns da Ucrânia.

    É sob essa luz que se tem de examinar a recente intervenção, pelo vice-ministro do Petróleo do Irã, Ali Mejidi, quando declarou entusiasticamente que o eternamente conturbado Nabucco, a ópera do Oleogasodutostão, se algum dia houve tal coisa, estaria outra vez “em cena”.

    A ideia do gasoduto Nabucco é levar gás para a União Europeia via Turquia, Bulgária, Romênia, Hungria e Áustria. Sim, mas, gás vindo de onde? O Turcomenistão e o Cazaquistão ficaram, afinal, excluídos. Poderia ser gás do Azerbaijão, mas essa via exige uma fortuna extra em investimentos. A indústria iraquiana não estará, tão cedo, em operação. E o Irã só estará no jogo se assinar algum acordo nuclear até o final de 2014 e se as sanções forem levantas em 2015 (e todos esses “se” são gigantes).

    Assim sendo, na Ucrânia, como na Síria, estamos de volta ao começo do jogo, em termos de energia. O país é uma arca de recursos econômicos, que está sendo sugado para dentro do poço do capitalismo de desastre. No fim, é provável que a Gazprom surja como vencedora.

    Não está entendendo Síria e Ucrânia? Calma: basta seguir a trilha das guerras da energia.
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    (Blog: Para entender sobre a produção de gás e a  gaspron e a a dispuita interimperialista: http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2012/07/siria-centro-da-guerra-pelo-gas.html )